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Governo promete pôr ordem na dívida aos fornecedores, mas continua sem dizer quando vai pagar

Conselho de Ministros aprova estratégia para gestão dos atrasados, mas Executivo admite que documento não fixa prazos para liquidação das dívidas acumuladas.

O Governo aprovou esta terça-feira uma Estratégia de Gestão dos Atrasados do Estado, apresentada como um instrumento destinado a restaurar a confiança entre o Estado e os seus fornecedores, reforçar a disciplina das finanças públicas e evitar o crescimento de novas dívidas.

No entanto, apesar da aprovação da estratégia, permanece uma das principais dúvidas levantadas pelos empresários: quando serão efectivamente pagos os valores em atraso?

Durante a conferência de imprensa após a sessão do Conselho de Ministros, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, reconheceu que a estratégia agora aprovada não estabelece qualquer calendário para a liquidação das dívidas acumuladas.

 “A estratégia não diz quando é que vão terminar as dívidas. A estratégia é apenas uma orientação sobre como as dívidas devem ser tratadas.”

A declaração significa que, embora o Executivo tenha definido regras para gerir os atrasados, continua sem assumir um compromisso temporal relativamente ao pagamento das empresas que aguardam há meses — e, em alguns casos, há anos — pela regularização dos seus créditos.

Estratégia sem calendário

Segundo o Governo, o documento estabelece procedimentos para evitar o aparecimento de novos atrasados e criar critérios uniformes para reconhecimento e pagamento das dívidas. Impissa explicou que a estratégia pretende orientar os órgãos do Estado sobre a forma como devem ser assumidas novas despesas, reconhecidos os atrasados e processados os respectivos pagamentos.

Contudo, a operacionalização dependerá de planos posteriores. Na prática, o Executivo admite que o documento constitui um quadro orientador, mas não representa, por si só, uma garantia de pagamento imediato.

Nem toda a dívida será reconhecida

Outro aspecto relevante das declarações do porta-voz prende-se com o processo de validação das dívidas.

Segundo explicou, nem todos os montantes reclamados pelos fornecedores serão automaticamente reconhecidos pelo Estado.

Antes de qualquer pagamento, haverá um processo de verificação documental destinado a confirmar se os serviços foram efectivamente prestados, se os procedimentos legais foram cumpridos e se existem elementos suficientes para validar cada despesa.

 “Só aquilo que ficar provado (…) entra para uma dívida qualificada e nesse campo entra logo para a perspectiva de pagamento”, explicou.

A posição indica que alguns fornecedores poderão ver os seus créditos rejeitados caso não consigam comprovar integralmente a prestação dos serviços ou o cumprimento dos procedimentos administrativos.

Empresas continuam à espera

O atraso no pagamento de fornecedores constitui uma das principais preocupações do sector privado, afectando empresas de diferentes dimensões e sectores de actividade.

Para muitas delas, a falta de liquidez provocada pelos atrasados do Estado traduz-se em dificuldades para pagar salários, impostos, fornecedores e instituições financeiras.

Apesar disso, o Governo insiste que pretende restaurar a confiança entre o Estado e os operadores económicos.

Entre a disciplina financeira e a confiança

A aprovação da estratégia representa um sinal de que o Executivo reconhece a gravidade do problema.

Contudo, a credibilidade da medida dependerá menos do documento aprovado e mais da capacidade do Estado em transformar orientações administrativas em pagamentos efectivos.

Enquanto isso não acontecer, continuará a persistir a principal questão colocada pelos empresários: quando é que o Estado vai pagar?

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