A sucessão de Rogério Zandamela na liderança do Banco de Moçambique sofreu uma reviravolta em menos de 24 horas. Waldemar de Sousa foi nomeado governador na segunda-feira, mas a decisão foi revogada antes da tomada de posse. Felisberto Navalha, inicialmente indicado para vice-governador, passou a liderar o Banco Central.
A justificação oficial resume-se a “questões supervenientes”, sem especificação da sua natureza. A mudança ocorre num contexto em que a escolha de Waldemar de Sousa já estava a ser questionada publicamente.
Numa carta dirigida ao Presidente da República, Adriano Nuvunga manifestou “profunda indignação” com a nomeação, alegando que existem informações públicas segundo as quais Sousa foi acusado de infracções financeiras relacionadas com as Dívidas Ocultas. Nuvunga afirma ainda que uma fonte do Tribunal Administrativo lhe indicou que o processo continua em curso.
O activista reconhece a presunção de inocência, mas defende que cargos públicos de elevada responsabilidade exigem critérios reforçados de integridade, idoneidade e confiança pública. A carta, contudo, não prova qualquer responsabilidade de Waldemar de Sousa, nem existe confirmação oficial de que tenha provocado a revogação da nomeação.
É justamente aqui que permanece a principal questão: o que aconteceu entre a primeira nomeação e a escolha de Felisberto Navalha? A Presidência não esclareceu se as “questões supervenientes” estão relacionadas com Waldemar de Sousa, com as questões levantadas por Nuvunga ou com qualquer outro factor.
Mas a nova liderança começa sob uma pergunta que a Presidência ainda não respondeu. Se a primeira escolha foi suficientemente avaliada para ser anunciada, o que mudou nas horas seguintes?
A resposta poderá ser importante não apenas para explicar a saída de Waldemar de Sousa, mas também para reforçar a confiança pública no processo de escolha de quem dirige uma das instituições mais importantes da economia moçambicana.