Jornalismo ao pormenor

Mulher dá à luz na rua após alegada recusa de atendimento no Hospital Geral de Mavalane

Uma denúncia de alegada recusa de atendimento a uma parturiente no Hospital Geral de Mavalane está a gerar indignação e preocupação em Maputo, depois de um áudio partilhado em grupo de WhatsApp relatar um suposto caso de uma mulher que acabou dando à luz na rua, na zona do Xiquelene, após não conseguir assistência hospitalar por falta de dinheiro- cinco mil meticais.

 

No áudio, partilhado como um grito de socorro, a irmã da parturiente afirma que a família levou a mulher ao hospital durante a noite, mas que no local teriam sido exigidos cinco mil meticais para o atendimento, tendo saído na manhã desta quarta-feira, uma vez que não tinham dinheiro para beneficiar da assistência na maternidade.

 

“Chegamos no Mavalane, logo pediram 5 mil. Não temos esses 5 mil. Ficamos à espera até agora às sete horas. Mandaram-nos voltar”, relata a denunciante no áudio emocionado.

 

Segundo o testemunho, quando regressavam do hospital, a mulher entrou em trabalho de parto e acabou por dar à luz na rua, na zona do Xiquelene, nos arredores do centro da cidade de Maputo.

 

Após receber a denúncia e o áudio, o Lupa News entrou imediatamente em contacto com a irmã da parturiente para obter mais esclarecimentos. Já no Hospital Geral de Mavalane, o jornal voltou a contactar a denunciante, que confirmou que a irmã havia dado à luz fora da unidade sanitária.

 

A fonte explicou ainda que, depois do parto, a família conseguiu reunir dois mil meticais, mas faltavam ainda outros três mil para garantir o atendimento pós-parto da mãe e do recém-nascido.

 

De acordo com a denunciante, a situação começou a mudar após uma pessoa influente ter intervindo junto da administração hospitalar. Além disso, amigos ligados a algumas organizações da sociedade civil também teriam efectuado contactos para pressionar pelo atendimento da parturiente e do bebé.

 

Mesmo assim, Lupa News permaneceu no hospital em busca de mais informações e tentou localizar a família da parturiente, mas sem sucesso. A irmã que fez o apelo garantiu, no entanto, que tanto a parturiente como a mãe dela estavam a receber assistência médica na unidade sanitária.

 

No hospital, a equipa do Lupa News foi orientada a dirigir-se à secretaria, onde foi informada de que deveria solicitar uma audiência com a direcção mediante uma carta formal a ser submetida à Direcção da Saúde da Cidade de Maputo.

 

Antes de sair do hospital, o jornal visitou ainda o sector de inspecção da unidade sanitária. No local, foi informado de que até à manhã desta quinta-feira ainda não havia sido apresentada qualquer denúncia formal sobre o caso. O sector sugeriu igualmente que o jornal partilhasse a carta a ser submetida à Direcção da Saúde da Cidade de Maputo para acompanhamento institucional do assunto.

 

O caso levanta novas preocupações sobre o acesso aos serviços públicos de saúde, particularmente para famílias em situação de vulnerabilidade económica, num contexto em que o atendimento materno-infantil constitui uma prioridade nacional.

 

Lupa News continua a acompanhar este caso e promete trazer mais esclarecimentos e posicionamentos oficiais das autoridades de saúde, por se tratar de uma questão de elevado interesse público.

Deixe uma resposta