Jornalismo ao pormenor

Casamento como Instituição

Texto: Chaúque  Augusto

Sociólogo/Antropólogo, consultor em assistência social, pesquisador social

 

O casamento como instituição estaria em crise ou seria uma instituição falida?

Se partimos do pressuposto de que a família é a base da Sociedade, de igual forma, podemos assumir o casamento como a base da família e consequentemente da sociedade.

Constantemente nos nossos andares, sentadas e convívios, este tema tem emergido com bastante frequência, entre crenças, posições e experiências dos intervenientes, servem de alicerce para desacreditar ou acreditar nela, o debate sobre o assunto em epígrafe, muitas vezes termina em divergência.

Muitas são as narrativas sobre o término de vários relacionamentos, destes motivos, podemos encontrar, traições, rotina, falta de conexão entre o casal, problemas familiares (espirituais) falta de comprometimento, falta de lealdade, desrespeito e violência de todos os tipos. Portanto, são vários motivos que podem arruinar um casamento.

Acredita-se que o casamento é a união de duas pessoas do sexo oposto que se juntam e formaram uma família, na minha visão, o casamento vai além de união de duas pessoas, mas sim, é a união de duas famílias e por vezes de duas culturas, que através dos seus filhos decidem se casar porque existe um sentimento que chamamos de amor.

O que seria o amor?

São várias as definições sobre o amor, o objectivo não é trazer essas definições neste artigo, mas mostrar como a instituição casamento, depende do amor do casal. O amor entre uma mulher e um homem, não começa, com as idas ao teatro, ao cinema, com o buquê de flores, presentes e todos tipos de agrados à pessoa amada, o amor na minha opinião, começa com autodefinição do que eu quero ser para a outra pessoa, o que o outro vai encontrar em mim, qual é o meu interesse nesta relação?

Depois desta autodefinição e da resposta em relação ao meu interesse na relação, a pessoa já se encontra emocionalmente preparada para entrar na relação, o que sucede, é que algumas vezes, o homem investe tanto na relação, mas o objectivo final e de ter relações sexuais, mas este investimento, não significa que ele queira casar e viver contigo, até podem casar-se

Porém, quando duas pessoas entram ou se casam com objectivos e interesses diferentes a probabilidade desse casamento dar certo é ínfima, porque são duas pessoas vivendo juntas, mas que não compartilham a vida, podem até compartilhar a casa, a cama, os filhos, mas não compartilham mesma ideia, mesmo sonho, mesmo objectivo, é aqui onde a outra pessoa se sente deixada de lado, porque o casal não consegue convergir as metas individuas como metas do casal.

O outro aspecto que pode ser considerado como a ponta do ice Berg, é buscar experiências, de casamentos fracassados e implementar na sua relação, nem sempre que as experiências dos outros nos ajudam a lhe dar com os nossos problemas. Os objectivos que fizeram a outra ou o outro entrar na relação, não são os motivos que me fizeram entrar na relação com o meu parceiro. O casamento, não é e nunca será algo quantitativo, mas sim qualitativo, assim sendo, é importante estar ciente dos gostos, qualidades, manias, medos, sonhos e defeitos do seu parceiro.

Não é porque o marido da fulana gosta de uma coisa que seu marido irá gostar, não é porque a esposa do fulano é assim que a sua deve ser, cada pessoa tem a sua forma de ser e estar.

O que está em crise ou falido, não é o casamento como instituição, mas sim, são as pessoas que entram nesta instituição desacreditando no funcionamento dela, pessoas machucadas, com traumas e experiências próprias ou de outras pessoas, elas entram nesta instituição pelo status, de estar de estar num casamento e muitas vezes não no lar, porque o lar, é um ambiente de amor, harmonia, felicidade, entrega e não de disputa, de egoísmo e violência. A pessoa está lá, mas no primeiro problema já quer sair, alegando que os casamentos atuais não são como dos nossos (pais). Se olharmos neste aspecto, os nossos pais, são os que mais enfrentaram problemas (guerras, distancias, poligamia, violência, desemprego, doenças etc), mas estavam sempre juntos.

Se desacreditarmos nesta instituição, as próximas famílias serão constituídas por pais separados, cada um vivendo na sua casa, tendo varias parceiras ou vários parceiros e, não transmitindo nenhum valor relacionado ao casamento, para os filhos provenientes destas relações por sua vez, esses filhos irão replicar as mesmas práticas.

Em suma, o casamento como instituição, não está falida, mas poderá entrar em crise, por conta da convivência, traumas, desgaste psicológico e emocional, falta de objectivos comuns e comprometimento dos casais.

Para que isto não aconteça, é urgente o resgate dos valores, onde se mostre a da importância da família como a base da sociedade.

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