Jornalismo ao pormenor

Gaza mobiliza vacinação de 551 mil cabeças de gado para proteger produção e evitar perdas económicas

Campanha surge como resposta estratégica após prejuízos causados por cheias e visa estabilizar oferta de carne e segurança alimentar

A província de Gaza vai vacinar mais de 551 mil cabeças de gado nos próximos 30 dias, numa iniciativa que se posiciona como medida económica estratégica para proteger a cadeia de valor pecuária e mitigar riscos de perdas no sector.

A campanha, lançada pela governadora Margarida Chongo, no posto administrativo de Chivonguene, distrito de Guijá, enquadra-se num esforço mais amplo de recuperação produtiva após os impactos severos das cheias recentes, que resultaram na perda de cerca de 860 bovinos — um prejuízo directo com implicações na renda dos produtores e no abastecimento de carne.

Com um universo estimado em 580 mil animais, a vacinação deverá cobrir praticamente todo o efectivo pecuário da província, com foco em doenças de elevado impacto económico, como o carbúnculo sintomático e o carbúnculo hemático — este último com potencial zoonótico, representando também riscos à saúde pública e custos adicionais ao sistema sanitário.

Do ponto de vista económico, a campanha visa reduzir a mortalidade animal, estabilizar a produtividade e evitar choques na oferta de proteína animal, factores críticos para conter a volatilidade de preços no mercado local e garantir previsibilidade aos produtores.

Além disso, a iniciativa reforça a qualidade sanitária dos produtos de origem animal, um elemento essencial para a confiança do consumidor e para o potencial de expansão comercial, sobretudo num contexto em que padrões sanitários são cada vez mais determinantes para o acesso a mercados.

Apesar dos impactos climáticos negativos registados em 2025, Gaza conseguiu manter uma produção de cerca de 5 mil toneladas de carne. Para 2026, as projecções apontam para uma recuperação moderada, com a produção a ultrapassar as 5.160 toneladas, sinalizando resiliência do sector, mas também a necessidade de medidas preventivas contínuas.

A campanha de vacinação surge, assim, não apenas como uma acção sanitária, mas como um instrumento de política económica rural, orientado para a protecção de activos produtivos, manutenção de rendimentos no campo e reforço da segurança alimentar.

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