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 Papa nomeia administradores apostólicos para Beira e Quelimane

Dom António Bogaio Constantino assume interinamente a Arquidiocese da Beira e Dom Estêvão Fernando passa a dirigir a Diocese de Quelimane. Nomeações ocorrem dias após a morte violenta de Dom Osório Citora Afonso, que liderava simultaneamente as duas jurisdições eclesiásticas.

Dom António Manuel Bogaio Constantino
Dom António Manuel Bogaio Constantino

A Igreja Católica em Moçambique já tem uma solução provisória para garantir a continuidade da liderança pastoral da Arquidiocese da Beira e da Diocese de Quelimane, ambas afectadas pela morte violenta de Dom Osório Citora Afonso.

Num comunicado divulgado na sexta-feira, 12 de Junho, a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) anunciou que o Papa Leão XIV nomeou Dom António Manuel Bogaio Constantino, Bispo da Diocese de Caia, como Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira. Na mesma decisão, o Santo Padre nomeou Dom Estêvão Angelo Fernando, Bispo da Diocese de Alto Molócuè, como Administrador Apostólico da Diocese de Quelimane.

Dom Estêvão Angelo Fernando
Dom Estêvão Angelo Fernando

As nomeações procuram assegurar a continuidade da condução pastoral e administrativa das duas circunscrições eclesiásticas enquanto decorrem os procedimentos que deverão culminar com a escolha dos futuros titulares.

A decisão surge num momento particularmente sensível para a Igreja Católica moçambicana, ainda marcada pelo assassinato de Dom Osório Citora Afonso, cuja morte provocou uma onda de consternação entre fiéis, líderes religiosos e diversos sectores da sociedade.

Natural de Nampula, Dom Osório desempenhava simultaneamente as funções de Arcebispo da Beira e Administrador Apostólico da Diocese de Quelimane, uma situação pouco comum que reflectia a confiança que lhe era depositada pela Santa Sé para conduzir duas importantes jurisdições eclesiásticas do país.

A sua morte deixou um vazio de liderança numa vasta região do centro de Moçambique, abrangendo milhares de fiéis, dezenas de paróquias, instituições de ensino, obras sociais e projectos de assistência comunitária ligados à Igreja Católica.

Com as novas nomeações, o Vaticano procura assegurar que a actividade pastoral, administrativa e missionária continue sem interrupções. Os administradores apostólicos exercem, em regra, funções temporárias semelhantes às de um bispo diocesano, garantindo o funcionamento normal da diocese ou arquidiocese até à nomeação definitiva de um novo titular.

Dom António Manuel Bogaio Constantino é actualmente Bispo da Diocese de Caia, uma das mais jovens dioceses moçambicanas, criada em 2007. Já Dom Estêvão Angelo Fernando lidera a Diocese de Alto Molócuè, na província da Zambézia.

No comunicado assinado pelo director do Secretariado-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique, padre Francisco Fumo, a Igreja manifesta votos de sucesso aos dois prelados e promete acompanhá-los com orações nesta nova missão.

As nomeações representam um dos primeiros passos institucionais da Igreja Católica para reorganizar a sua estrutura após a morte de Dom Osório Citora Afonso, enquanto continuam a ser aguardados esclarecimentos sobre as circunstâncias que rodearam o crime que abalou a comunidade católica moçambicana.

Embora os administradores apostólicos assumam a gestão imediata das duas jurisdições, caberá futuramente ao Papa proceder à nomeação dos novos bispos titulares para a Arquidiocese da Beira e para a Diocese de Quelimane, encerrando assim um período de transição iniciado com a trágica morte de Dom Osório Citora Afonso.

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