Jornalismo ao pormenor

Nova Democracia afia discurso para a batalha do Diálogo

Em Quelimane Partido prepara porta-vozes para levar às províncias a sua visão sobre a reforma do Estado

A Nova Democracia (ND) prepara-se para entrar numa nova etapa da sua participação no Diálogo Nacional Inclusivo (DNI): depois de formular e aprovar as suas propostas para a reforma do Estado, o partido quer agora garantir que os seus porta – vozes, de norte a sul do país, saibam explicá-las, defendê-las e levá-las ao debate público.

É neste contexto que a formação política vai realizar, nos dias 28 e 29 de Agosto, na cidade de Quelimane, província da Zambézia, uma capacitação dos delegados provinciais e chefes de mobilização em comunicação política e defesa das propostas da ND no âmbito do DNI.

A iniciativa representa, segundo o partido, uma etapa de preparação da sua estrutura política para a fase de socialização do Documento de Posição sobre a reforma do Estado.

O documento resulta da Conferência Nacional de Quadros, realizada em Dezembro de 2025, em Maputo, e da posterior aprovação do Manifesto da Nova Democracia para o DNI – Reforma do Estado, durante a IV Sessão do Comité Executivo Nacional, realizada em Março deste ano. A proposta foi submetida à Comissão Técnica do DNI (COTE).

Agora, a ND pretende levar esse posicionamento para as estruturas provinciais, numa tentativa de assegurar que as suas propostas não permaneçam confinadas aos órgãos centrais do partido.

“Não basta ter propostas. É preciso que os nossos porta – vozes as conheçam, compreendam a sua razão de ser e estejam preparados para explicá-las perante os cidadãos”, afirma o porta-voz da Nova Democracia, Armando Mahumane.

A aposta coloca a comunicação política no centro da estratégia do partido para o DNI. A capacitação deverá trabalhar a interpretação do Documento de Posição, a redução de ambiguidades sobre as propostas, a coerência do discurso político e a preparação dos porta-vozes para a defesa pública das posições oficialmente assumidas pela ND.

Para Mahumane, a uniformidade do discurso não significa limitar o debate, mas garantir que as diferentes estruturas do partido partam de uma mesma base quando forem chamadas a apresentar as suas posições.

Porta-voz da Nova Democracia, Armando Mahumane.“Queremos um partido que fale com clareza sobre aquilo que defende. A reforma do Estado é uma discussão demasiado importante para ser tratada com mensagens contraditórias ou interpretações individuais”, explica.

A escolha de Quelimane para acolher esta  capacitação surge também como parte da estratégia de descentralização da discussão. A partir da Zambézia, a ND pretende focar-se a socialização nacional do seu Documento de Posição junto dos delegados provinciais e porta-vozes.

A iniciativa ocorre num momento em que o DNI procura colocar diferentes forças políticas e sociais em torno da discussão sobre o funcionamento e a organização do Estado. A Nova Democracia, enquanto partido signatário do processo, procura afirmar nesse espaço a sua própria visão sobre os caminhos da reforma.

A formação dos porta – vozes passa, assim, a ser uma peça importante dessa participação. A intenção é transformar um documento político produzido a nível central numa mensagem compreensível e debatível nas províncias.

“Estamos a preparar os nossos quadros para participar no debate com argumentos, conhecimento e responsabilidade. Queremos que cada delegado provincial seja capaz de explicar o que a Nova Democracia propõe e, sobretudo, por que razão entendemos que essas mudanças são necessárias”, sublinha Mahumane.

A capacitação de Quelimane marca, desta forma, a passagem da formulação para a comunicação política das propostas da ND no âmbito do DNI – uma fase em que o conteúdo das reformas começa a disputar espaço não apenas dentro das estruturas partidárias, mas também no debate público nacional.

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