
No encerramento da Conferência de Quadros (domingo, 23), o Presidente da FRELIMO endureceu o discurso contra corrupção, tráfico de drogas, branqueamento de capitais, raptos e abuso do poder, defendendo responsabilização individual dos membros envolvidos em crimes.
O discurso de encerramento da 11ª Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO produziu uma das declarações mais duras de Daniel Chapo contra comportamentos criminosos associados a membros do partido.
Perante milhares de quadros e convidados, o Presidente da FRELIMO afirmou que a organização não pode aceitar que comportamentos individuais comprometam a imagem de uma estrutura política com décadas de história.
A metáfora escolhida foi particularmente forte: se a FRELIMO é uma árvore, os membros envolvidos em práticas criminosas são “frutos podres” que devem ser retirados antes de contaminarem os restantes.
“Se nesta árvore houver algum fruto podre, abanaremos a árvore até que o fruto caia”, declarou Chapo.
A afirmação surge depois de o próprio Presidente reconhecer que alguns delegados manifestaram preocupação com membros da FRELIMO associados a práticas negativas, incluindo criminalidade e corrupção.
Chapo procurou estabelecer uma separação entre a organização e a responsabilidade individual dos seus membros. Na sua leitura, um eventual crime cometido por um militante não deve ser automaticamente transformado numa acusação contra todo o partido.
Mas, ao mesmo tempo, deixou uma advertência directa aos membros da FRELIMO.
“Na FRELIMO não queremos corruptos. Na FRELIMO não há lugar para ladrões. Na FRELIMO não queremos traficantes de drogas”, afirmou.
A lista foi ampliada para incluir branqueamento de capitais, raptos e outras formas de criminalidade, com Chapo a defender que os autores devem responder individualmente pelos crimes que cometerem.
O Presidente apelou ainda aos cidadãos para denunciarem comportamentos criminosos às autoridades competentes, independentemente da filiação partidária dos envolvidos.
A mensagem, porém, veio acompanhada de uma ressalva: Chapo também condenou falsas acusações e denúncias destinadas a destruir a reputação de cidadãos honestos, defendendo que é necessário “separar o trigo do joio”.
Há, neste ponto, uma tensão importante no discurso.
A FRELIMO pretende iniciar uma “Nova Era” de renovação interna, mas essa renovação será julgada pela capacidade de transformar declarações de combate à corrupção em mecanismos efectivos de responsabilização.
Chapo afirmou que não se trata de uma “caça às bruxas”, mas prometeu que o partido continuará “implacável” contra corrupção, tráfico de drogas, branqueamento de capitais, raptos e outros crimes.
A declaração coloca agora uma questão inevitável: quem serão os primeiros “frutos podres” a cair?
A resposta não está no discurso de Chapo. Está nos actos que se seguirem.
A 11ª Conferência terminou em Chimoio com uma promessa de renovação. Para que a metáfora da árvore deixe de ser apenas uma figura de discurso, será necessário que a nova era produza consequências concretas – dentro e fora da FRELIMO.
No fim, Chapo resumiu a mudança pretendida numa frase simples: “VAMOS TRABALHAR”.
É precisamente no trabalho que a promessa será testada.