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Moçambique reúne Estado, sociedade civil e parceiros internacionais para definir consensos sobre o desenvolvimento até 2050

O Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD), em parceria com a Fundação MASC, promove esta quarta-feira (08 de Julho), em Maputo, a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, um espaço de reflexão estratégica que pretende avaliar os últimos 25 anos do percurso de desenvolvimento do país, analisar os desafios do presente e construir consensos sobre as prioridades nacionais até 2050.

Falando, nesta terça (07 de Julho), durante a conferência de imprensa de apresentação do evento, a Directora Nacional de Desenvolvimento Integrado do MPD, Deodete da Conceição Chachuio, explicou que a iniciativa terá como principal base de análise a Agenda 2025, a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) e outros instrumentos de reflexão produzidos por diferentes actores nacionais, incluindo organizações da sociedade civil.

Segundo a responsável, o encontro surge como uma plataforma nacional de diálogo destinada a produzir recomendações concretas para reforçar a governação, acelerar o desenvolvimento económico e adaptar as estratégias públicas às novas exigências do país.

“Pretende-se olhar para o passado, compreender o presente e perspectivar o futuro, a partir de uma análise inclusiva dos principais instrumentos que orientam o desenvolvimento nacional”, afirmou.

A conferência contará com a participação de representantes do Governo, parceiros de cooperação, academia, sector privado, organizações da sociedade civil, juventude e especialistas nacionais e internacionais ligados às áreas de desenvolvimento, economia, governação e planeamento estratégico.

De acordo com Deodete Chachuio, o evento será orientado pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, e culminará com a adopção da chamada “Declaração de Maputo”, documento que reunirá os consensos alcançados ao longo das discussões e que deverá servir de referência para a formulação de futuras políticas públicas e planos de acção.

A responsável destacou que os consensos produzidos não deverão permanecer apenas no plano das recomendações, mas traduzir-se em medidas concretas sujeitas à monitoria por parte das instituições e da sociedade.

“O objectivo é que os consensos sejam operacionalizados em planos de acção concretos e monitorados, permitindo que os cidadãos acompanhem os avanços, identifiquem desafios e contribuam para o aperfeiçoamento das estratégias de desenvolvimento”, sublinhou.

Entre os principais temas em debate estarão a governação, a descentralização, o desenvolvimento económico local, a participação da juventude, a resiliência climática e a adaptação dos instrumentos de planeamento aos novos desafios enfrentados pelo país.

Segundo o MPD, a necessidade de actualizar permanentemente as estratégias de desenvolvimento tornou-se ainda mais evidente face aos impactos provocados por fenómenos climáticos extremos, como cheias e secas, bem como pelos desafios socioeconómicos emergentes.

Por sua vez, a Directora Executiva da Fundação MASC, Maura Martins, considerou que a conferência representa uma oportunidade para promover uma visão partilhada de desenvolvimento, envolvendo todos os sectores da sociedade na construção de soluções para os desafios nacionais.

A dirigente destacou que Moçambique enfrenta desafios complexos relacionados com a pobreza, vulnerabilidade social, mudanças climáticas, eventos extremos, crescimento demográfico e criação de oportunidades para a juventude, factores que exigem respostas coordenadas e inclusivas.

“Os desafios de desenvolvimento do país não podem ser resolvidos por uma única instituição. Governo, sociedade civil, sector privado, parceiros de cooperação e comunidades devem trabalhar em conjunto para encontrar soluções sustentáveis”, afirmou.

Segundo Maura Martins, a sociedade civil desempenha um papel importante na criação de pontes entre as instituições e as comunidades, contribuindo para que as prioridades locais sejam incorporadas nos processos de planificação e implementação das políticas públicas.

A conferência terá início às 08h30 com o registo dos participantes e contará com intervenções de representantes do Governo, parceiros internacionais e academia. Entre os momentos centrais destacam-se os painéis dedicados ao diagnóstico estratégico de Moçambique entre 2000 e 2025 e à definição de perspectivas e posicionamento estratégico para o período 2026–2050.

O programa inclui ainda apresentações de especialistas de reconhecido mérito nacional e internacional, debates em plenário e sessões de consolidação estratégica, culminando com a leitura da Declaração da Conferência e o encerramento oficial pela Primeira-Ministra da República de Moçambique, Maria Benvinda Levi.

A iniciativa enquadra-se nos esforços do Governo para reforçar a participação inclusiva na definição das prioridades nacionais e consolidar uma visão estratégica de longo prazo orientada para um desenvolvimento mais sustentável, resiliente e centrado nas necessidades dos cidadãos.

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