
Parceria de cinco anos aposta em energia, agro-negócio e corredores económicos como motores de crescimento e emprego.
A Ministra das Finanças, Carla Loveira, reuniu-se esta segunda-feira (13), em Washington D.C., com representantes do Banco Mundial, para discutir os termos do novo quadro de cooperação estratégica entre Moçambique e a instituição, denominado Country Partnership Framework (CPF).
O novo ciclo de parceria, com vigência prevista de cinco anos, poderá mobilizar cerca de 6 mil milhões de dólares norte-americanos, num dos maiores pacotes de financiamento multilateral recentemente negociados pelo país. O montante deverá ser canalizado para sectores considerados estruturantes para a transformação económica, incluindo energia, agro-negócio, turismo, desenvolvimento de competências da força de trabalho e estabilidade macrofiscal.
Segundo a governante, o enfoque recairá sobre áreas com elevado potencial de geração de emprego e dinamização da economia, com destaque para o desenvolvimento de corredores económicos — infraestruturas e redes logísticas que ligam zonas de produção aos mercados, tanto internos como de exportação.
O CPF surge como resultado de um processo alargado de consultas que envolveu o Governo, o sector privado, a sociedade civil e parceiros de desenvolvimento, reflectindo uma tentativa de alinhar prioridades nacionais com o apoio financeiro internacional. Este modelo de concertação é frequentemente apontado como essencial para garantir maior eficácia na implementação de projectos e evitar dispersão de recursos.
Contudo, analistas alertam que o sucesso do novo quadro dependerá da capacidade do Estado em assegurar transparência, disciplina fiscal e execução eficiente dos projectos, num contexto em que Moçambique continua a enfrentar desafios ligados à dívida pública, vulnerabilidades externas e necessidade de diversificação económica.
À margem dos encontros com o Banco Mundial, Carla Loveira manteve ainda um encontro com Adriano Ubisse, onde foram discutidas questões relacionadas com o desempenho macrofiscal do país e os desafios associados à sustentabilidade financeira.
O novo acordo com o Banco Mundial poderá representar uma oportunidade estratégica para reposicionar a economia moçambicana, mas também coloca à prova a capacidade institucional do país em transformar financiamento em resultados concretos para a população.