
Depois de receber uma denúncia sobre a falta de senhas no Centro de Saúde de Alto-Maé, a equipa do Lupa News deslocou-se àquela unidade sanitária e confirmou a situação.
À chegada, na área de aceitação, uma paciente trajada de uniforme preto e branco, que se encontrava à nossa frente, foi questionada sobre a sua idade por uma voz vinda do interior do balcão.
“Não temos senhas. Vá ao outro centro de saúde”, respondeu a voz, num tom ríspido e autoritário.
Chegada a nossa vez, a resposta não foi diferente. Do outro lado do guiché, fomos informados de que o centro de saúde não estava a distribuir senhas. “Só há senhas para Pediatria”, esclareceu o funcionário.
A denúncia estava confirmada.
O paciente que inicialmente contactou o Lupa News contou que se dirigiu à fila para obter uma senha de consulta e, quando estava prestes a ser atendido, foi informado de que já não havia senhas disponíveis. Segundo o denunciante, o colaborador explicou que a unidade sanitária tinha recebido apenas 20 senhas naquele dia.
Para um cidadão comum, a situação pode parecer inacreditável. Mas, para quem conhece a realidade moçambicana, episódios desta natureza estão longe de ser inéditos.
O denunciante relatou ainda que, ao ouvir a resposta, outro paciente que se encontrava atrás de si na fila esboçou um sorriso irónico, revelador de indignação.
Os dois homens trocaram impressões sobre o sucedido e questionaram se a aparência dos utentes poderia ter influenciado a forma como eram tratados. Naquele momento, a atitude do colaborador terá sido interpretada como um sinal de desconsideração, ferindo a dignidade de cidadãos que procuravam assistência médica.
Mas a situação não terminou ali.
Segundo o denunciante, já no momento da saída, o mesmo colaborador interpelou-o nos corredores e insinuou que poderia conseguir-lhe uma senha mediante o pagamento de um determinado valor, numa tentativa de aliviar o desconforto causado pela situação.
Assim vai Moçambique