Jornalismo ao pormenor

Insurgentes voltam a atacar minas em Cabo Delgado e intensificam economia de guerra

Investida em Meluco expõe fragilidade da segurança nas zonas de exploração e reforça financiamento paralelo de grupos armados

Um novo ataque de supostos insurgentes a uma mina de pedras preciosas, na localidade de Ravia, distrito de Meluco, em Cabo Delgado, voltou a expor a vulnerabilidade das zonas de exploração mineira no norte de Moçambique, num contexto em que os recursos naturais continuam a alimentar dinâmicas de conflito.

A informação foi avançada pelo portal Notícias ao Minuto, que cita a Agência Lusa, com base em fontes locais.

Segundo a fonte, o ataque ocorreu no domingo, quando os insurgentes surpreenderam garimpeiros no local, tendo apreendido uma motorizada usada no transporte de areia e exigido dinheiro em troca da vida dos trabalhadores. Não há registo de mortos ou feridos, mas o episódio gerou pânico e provocou a dispersão dos garimpeiros, muitos dos quais fugiram para a sede distrital de Meluco, enquanto outros continuam refugiados nas matas.

Mais do que um episódio isolado, o ataque revela um padrão cada vez mais evidente: o controlo e exploração de recursos naturais como mecanismo de financiamento dos grupos armados. As minas artesanais, pouco reguladas e frequentemente desprotegidas, tornam-se alvos fáceis e estratégicos para estas incursões.

Não é a primeira vez que Ravia é palco deste tipo de violência. Em 2025, insurgentes já tinham invadido as mesmas áreas, matando garimpeiros e saqueando motorizadas e valores monetários, numa ação que obrigou à intervenção das Forças de Defesa e Segurança.

A província de Cabo Delgado continua mergulhada numa insurgência que dura há mais de oito anos, desde o primeiro ataque registado em outubro de 2017, em Mocímboa da Praia. Apesar das operações militares em curso, os grupos armados mantêm capacidade de mobilidade e continuam a atingir alvos económicos vulneráveis.

Dados da ACLED reforçam a dimensão do problema: só nas últimas duas semanas foram registados 11 incidentes violentos na província, dos quais 10 atribuídos a extremistas ligados ao autoproclamado Estado Islâmico, resultando em pelo menos nove mortos. No total, desde 2017, o conflito já provocou mais de 6.500 mortes e ultrapassou os 2.300 eventos violentos, a esmagadora maioria associada ao Estado Islâmico em Moçambique.

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