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Governo diz que ligou 418 escolas à internet, beneficiários denunciam serviços que não funcionam

O Governo de Moçambique anuncia a ligação de 418 escolas à internet, a criação de 20 praças digitais e a distribuição de 19.454 computadores a estudantes do ensino superior. Contudo, comentários de internautas nas redes sociais do Ministério das Comunicações e Transformação Digital apontam falhas no funcionamento de alguns serviços e questionam a eficácia dos investimentos na inclusão digital.

Os dados foram divulgados pelo Ministério nas suas plataformas digitais, com base numa entrevista concedida pelo ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, à Rádio Moçambique, no programa Cartas na Mesa, transmitido a 26 de Outubro.

Segundo o governante, as iniciativas visam expandir o acesso às tecnologias de informação e comunicação, sobretudo entre estudantes e comunidades com dificuldades de acesso a dispositivos e serviços digitais.

O ministro referiu igualmente a instalação de 222 quilómetros de fibra óptica e a adjudicação de 360 estações de telecomunicações destinadas às zonas rurais, das quais 86 já se encontram em funcionamento.

No âmbito destas acções, o Governo prevê elevar para mil o número de escolas ligadas à internet até 2029, procurando alargar o acesso às tecnologias digitais e criar condições para que mais cidadãos beneficiem dos serviços electrónicos.

Promessas digitais, problemas no terreno

Apesar dos números apresentados, os comentários publicados por internautas apresentam outros pontos ligados a operacionalização de algumas das infra-estruturas anunciadas.

Um dos comentários refere o caso de uma escola em Malica, no distrito de Lichinga, província do Niassa, alegadamente beneficiada com ligação à internet, mas cujo serviço, segundo o internauta, continua sem funcionar.

“Escola de Malica, no distrito de Lichinga, foi beneficiada da internet, mas até hoje está como uma mobília, não está a funcionar”, escreveu o utilizador.

Outro internauta defendeu que os computadores devem chegar a todos os institutos de ensino e questionou a utilidade das praças digitais. “Podem eliminar as praças digitais porque não funcionam efectivamente”, comentou.

Uma terceira intervenção reconhece a importância da internet para o ensino, mas alerta para a necessidade de medidas complementares, nomeadamente a promoção da literacia digital.

“A internet é muito importante no contexto do uso das novas tecnologias para o ensino. O que está em falta são medidas de acompanhamento, como, por exemplo, a questão da literacia digital, de modo que a internet seja o motor de conhecimento e não uma bomba atómica”, escreveu o internauta.

Os comentários  colocam uma questão central para a política de inclusão digital: para além de contabilizar escolas conectadas, praças digitais criadas e computadores distribuídos, importa assegurar que os serviços funcionem, sejam acessíveis e contribuam efectivamente para a aprendizagem.

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