
Directora Elsa Prata da Silva admite denúncias de cobranças ilícitas e defende ida ao terreno para “medir o pulsar” dos consumidores. Provedoria do Cliente na Defesa dos Direitos do Cliente decorre em Boane, bairro Chinonaquila – Km 16, até sexta-feira.
Boane (Maputo), 22 de Abril – A Electricidade de Moçambique (EDM) lançou, esta quarta-feira, no Município de Boane, província de Maputo, a sua provedoria itinerante do cliente para a região sul, numa iniciativa que visa reforçar a proximidade com os consumidores e recolher, no terreno, reclamações, denúncias e sugestões sobre a prestação dos serviços.
A actividade decorre entre os dias 22 e 24 de Abril, no Km 16, zona de Chinonaquila, no recinto das Bombas Nkomazi, onde equipas técnicas da empresa estão disponíveis para atender os clientes a partir das 09:00 horas.
Segundo a directora do Gabinete de Ética e Provedoria do Cliente da EDM, Elsa Prata da Silva, o programa surge da necessidade de inverter a lógica tradicional de atendimento, levando a empresa ao encontro do cidadão.
“Sentimos que é importante irmos nós ao encontro do cliente e medir o pulsar daquele que é o nosso cliente e do cidadão”, afirmou.
A responsável reconheceu ainda que a iniciativa tem revelado problemas sensíveis no funcionamento interno da empresa, incluindo denúncias recorrentes de cobranças ilícitas e outras irregularidades.
“Temos recebido várias denúncias. Sabemos que, por vezes, há comportamentos ilícitos, mas também não é só onde existe um corrupto, existe um corruptor”, declarou.
No local, os primeiros relatos de clientes apontam para falhas no fornecimento de energia, com destaque para cortes frequentes e problemas técnicos associados a contadores.

Marcelino Santos, residente no Km 16, disse à Lupa News que está há três dias sem energia elétrica, uma situação que, segundo afirma, ocorre com regularidade.
“Sempre que há corte, restabelecem nas outras zonas, mas na minha casa não. Tenho que vir pedir código para desativar o contador. Isso acontece sempre. Já há coisas a estragar em casa”, lamentou.
Apesar disso, o cliente considera que a iniciativa pode trazer melhorias.
“Precisava mesmo de uma coisa assim. Às vezes você tem dinheiro, mas não consegue energia”, afirmou.
De acordo com a EDM, algumas situações apresentadas pelos clientes podem ser resolvidas no local, através das equipas técnicas mobilizadas para o evento, enquanto casos mais complexos são encaminhados para tratamento posterior.
Entre os principais desafios identificados até ao momento, destacam-se dificuldades no manuseamento de contadores, cobranças indevidas e a existência de ligações clandestinas.
A provedoria itinerante integra um programa de âmbito nacional, implementado há três anos, que prevê a realização de quatro edições por ano, uma em cada região do país — sul, centro e norte — como forma de ampliar o contacto directo com os consumidores.