
A Electricidade de Moçambique, E.P. (EDM) entra nesta quinta-feira, 27 de Agosto, no ciclo das comemorações dos seus 50 anos, numa altura em que a empresa enfrenta uma combinação de desafios associados à expansão do acesso à electricidade, crescimento da procura, qualidade do fornecimento, modernização da infraestrutura e sustentabilidade financeira.
O lançamento oficial da campanha dos 50 anos acontece no Montebelo Indy Maputo Congress Hotel, em Maputo, durante um workshop que marcará o início das actividades comemorativas que se prolongarão até 2027.
Os 50 anos permitem acompanhar a transformação da empresa e a dimensão que o sector eléctrico adquiriu na economia moçambicana.
Quando foi criada, em 1977, a EDM herdou uma rede eléctrica de dimensão limitada. Actualmente, a empresa opera uma infraestrutura nacional de produção, transporte e distribuição e presta serviço a milhões de clientes. Os indicadores de expansão ajudam a medir essa transformação.
Em 2024, a EDM registou 3.639.780 clientes, contra 3.208.749 no ano anterior, representando um crescimento de cerca de 13,4%. A taxa de acesso doméstico à Rede Eléctrica Nacional atingiu, no mesmo ano, 50,6%.
O crescimento da base de clientes aumenta, entretanto, a exigência sobre a capacidade operacional da empresa. Mais ligações significam maior necessidade de capacidade de transporte e distribuição, manutenção preventiva, expansão das subestações e redes, disponibilidade de equipamentos e capacidade de resposta às ocorrências. É neste ponto que a gestão da empresa ganha importância estratégica.
A expansão do acesso precisa de ser acompanhada pela capacidade de manter a rede, reduzir interrupções, controlar perdas técnicas e comerciais, melhorar a cobrança e assegurar recursos para novos investimentos.
A agenda da EDM está igualmente relacionada com a transformação do próprio sistema energético nacional. O aumento da procura de electricidade, a industrialização, a expansão urbana, a electrificação rural e o desenvolvimento de novos projectos económicos exigem uma rede cada vez mais robusta e flexível.
A Estratégia Nacional de Electrificação estabelece como horizonte o acesso universal à energia eléctrica até 2030, colocando sobre as instituições do sector a necessidade de acelerar a expansão sem comprometer a sustentabilidade do sistema.
Neste contexto, os investimentos em transporte assumem particular relevância. O reforço da rede de transmissão é fundamental para aumentar a capacidade de escoamento de energia, melhorar a segurança do fornecimento e acompanhar a entrada de novos projectos de geração.
A próxima década será também marcada pela necessidade de modernização tecnológica. A digitalização da rede, a automatização de processos, a gestão inteligente da distribuição, a melhoria dos sistemas de atendimento e o uso de dados para manutenção e planeamento podem alterar significativamente a forma como a empresa gere a sua operação.
Outro eixo é a eficiência empresarial.
O crescimento da rede e do número de clientes exige uma estrutura de custos compatível com a dimensão da operação. A redução de perdas, o reforço da cobrança, a gestão dos activos, a racionalização dos custos operacionais e a programação adequada dos investimentos tornam-se elementos centrais para a sustentabilidade da empresa.
A qualidade do serviço constitui igualmente um dos principais indicadores para medir os resultados dessa transformação.