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Chapo redefine independência e aponta “produção e produtividade” como nova fronteira do País

Presidente defende “segunda independência” assente no trabalho, industrialização e combate à corrupção; apela à unidade nacional e exalta combatentes em Cabo Delgado.

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que Moçambique deve entrar numa nova fase histórica que classificou como a “segunda independência”, centrada na produção, produtividade e transformação económica do país, ao discursar esta quarta-feira (25), em Maputo, por ocasião do 51.º aniversário da Independência Nacional.

Perante órgãos de soberania, antigos chefes de Estado, corpo diplomático, membros do Governo, sociedade civil e forças de defesa e segurança, Chapo destacou que a independência conquistada em 1975 representou a “recuperação da dignidade e da humanidade do povo moçambicano”, mas sublinhou que o desafio atual é económico.

“Por estas razões, a segunda independência chama-se produção e produtividade. Chama-se trabalho árduo. Chama-se disciplina. Chama-se patriotismo e nacionalismo económico”, afirmou.

Independência política já não basta, diz Presidente

No discurso, o Chefe de Estado defendeu que a soberania política, embora essencial, não garante por si só o desenvolvimento sustentável.

Segundo Chapo, Moçambique continua dependente de fatores externos e enfrenta desafios estruturais que exigem uma mudança de mentalidade nacional, orientada para o trabalho, a inovação e o mérito.

O Presidente apelou a uma transformação profunda da economia, com foco na industrialização, aumento da produção agrícola, valorização dos recursos naturais e criação de empregos para jovens e mulheres.

Corrupção e má gestão sob ataque

Chapo também apontou a corrupção e o mau uso dos recursos públicos como entraves ao desenvolvimento nacional, defendendo uma cultura de integridade e responsabilidade coletiva.

Entre os principais males identificados estão o desvio de fundos públicos e a indiferença social perante o sofrimento coletivo.

 “Precisamos de combater, com firmeza, todos os males que enfraquecem o Estado e atrasam o desenvolvimento nacional”, declarou.

Unidade nacional como eixo central

A unidade nacional ocupou um lugar central no discurso presidencial. Chapo afirmou que a coesão entre moçambicanos foi determinante para a independência e continua a ser essencial para o futuro do país.

O Presidente rejeitou divisões políticas, regionais ou religiosas, sublinhando que todos os cidadãos partilham o mesmo destino nacional.

“Do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico, existe apenas um Moçambique. Uma só pátria. Um só povo. Um só destino.”

Cabo Delgado e forças de defesa em destaque

Chapo prestou homenagem às forças de defesa e segurança envolvidas no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado, elogiando o seu papel na defesa da soberania e integridade territorial.

O Chefe de Estado pediu reconhecimento público para os combatentes envolvidos nas operações militares, sublinhando a continuidade da ameaça terrorista e a necessidade de vigilância permanente.

Juventude chamada à “independência económica”

O discurso deu especial destaque à juventude, a quem o Presidente atribuiu a missão de conquistar a “independência económica e tecnológica” do país.

Chapo apelou ao abandono da cultura do imediatismo e incentivou os jovens a apostarem na educação, agricultura, empreendedorismo, ciência e inovação.

“Não permitam que vos roubem os sonhos”, afirmou, reforçando a confiança no papel da juventude na transformação do país.

Paz e diálogo como pilares do futuro

O Presidente reafirmou o compromisso com a consolidação da paz e o reforço do diálogo nacional inclusivo, considerando-o um instrumento essencial para a reconciliação e estabilidade política.

Segundo Chapo, o processo de auscultação nacional já realizado entra agora numa fase de audições públicas, com vista à construção de consensos sobre o futuro do país.

Desenvolvimento ainda em curso

Apesar dos avanços registados, como expansão de infraestruturas, acesso à água e energia, Chapo reconheceu que persistem dificuldades significativas.

Defendeu, por isso, um esforço coletivo contínuo para acelerar o desenvolvimento. “A independência não é um ponto de chegada, mas sim de partida”, sublinhou.

Homenagem aos heróis e condecorações

A cerimónia ficou também marcada pela condecoração de antigos combatentes e cidadãos que contribuíram para o país, incluindo a atribuição póstuma do título de Herói da República a Joaquim João Muhlanga, figura da luta de libertação nacional.

Foram igualmente distinguidos 688 cidadãos e uma instituição, no âmbito das comemorações do 25 de Junho.

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