Texo: Chaúque Artur Augusto
Sociólogo/Antropólogo, consultor em assistência social, pesquisador social
Há dias decidi pegar meu telemóvel e visitar as redes sociais, visto que, já fazia tempo que não visitava as mesmas, enquanto manejava o aparelho, fui passando de uma publicação a outra, até que, deparei- me com uma foto, que ilustrava o peito de jovem de raça mista, pelo menos é o que parecia, com a seguinte escrita (antes “Ana” e depois “ anaconda”), pensei comigo mesmo, o que seria isto? Deve ser mais uma coisa de mulatos, conclui!
Logo, não se tratava de uma coisa relacionada a raça, mas se calhar de uma demostração de carinho, afecto e amor, qualquer pessoa e de qualquer raça, está sujeito a demostrar amor da forma que lhe convém e que achar que é a melhor maneira de se expressar para a pessoa amada.
Foi quando pensei na origem das mesmas, quando visito a caixa de memórias percebo que, as tatuagens sempre existiram e acompanham as sociedades até os dias de hoje, lembrei das marcas que eram feitas nos escravos para melhor ser identificado pelo seu dono, lembrei dos fuzileiros navais ou da marinha americana que temos visto nos filmes, lembrei dos fazedores da musica Rock e R&B sempre tatuados, lembrei de alguns jogadores que tatuam as suas conquistas no corpo para que sejam eternizadas, lembrei das moças que Tatuam borboletas nas costas, pernas como sinal de beleza, logo a tatuagem pode ser uma simples cicatriz ou uma bela obra de arte feita no corpo, tida como, identidade pessoal, identidade de grupo, identidade de classes sociais e identidade cultural.
Esta tatuagem que era tida como sinal de identidade cultural pelos membros da sociedade porque o sinal ou a tatuagem feita no corpo, era idêntica para todos, hoje a tatuagem evoluiu com a moda, desde os equipamentos usados, as cores, os enfeites e até os desenhos feitos. Se no passado as pessoas faziam como obrigação de pertencer a um grupo ou por obrigação de alguma forma, hoje, as pessoas fazem por iniciativa própria, escolhendo os desenhos que melhor acharem mais bonitos e que melhor as identificam.
Como conviver com elas?
Conviver com uma tatuagem pode ser simples ou complicado, mas para que está convivência seja simples ou complicado, depende do motivo pelo qual se fez a tatuagem, a partir das questões subjectivas e emocionais as formas de lidar com afigura tatuada pode trazer arrependimentos, culpa ou não.
Antes de fazer uma tatuagem, devemos encontrar na figura ou nome a ser tatuado, algo que nos identifique, algo que tenha um valor emocional muito forte e que ao perdemos esta coisa, o seu significado não altere de forma alguma. Vejamos, se por ventura, tatuar a um dos símbolos da República de Moçambique, é algo que me identifica como moçambicano e não há espaço de perder a nacionalidade moçambicana, se eu tatuar o nome do meu filho, o sentimento, o amor que tenho por ele não irá mudar, assim como se for o nome do meu pai, assim como posso almejar eternizar uma grande conquista através de uma tatuagem, são coias que não perderam o seu valor afetivo e a sua posição ou status, na minha vida.
Agora, se por ventura eu pensar em tatuar o nome da minha parceira, antes tereia de pensar na possibilidade desta relação terminar e se vier a terminar, como vou lhe dar com esta tatuagem, porque o termino desta relação, abre espaço para o início de outra relação, assim sendo, terei de pensar na reação da outra pessoa ao ver o nome de outra mulher tatuado no seu parceiro, mesmo sem entrar noutra relação, como poderei conviver com a tatuagem independentemente do motivo do termino da relação ou por outras, se eu encontrar alguém nestas condições, com uma tatuagem do seu ex- parceiro, será que ficarei com ela?
Com tudo, não é do meu interesse dizer o que as pessoas devem ou não tatuar, mas avaliar as consequências que isso poderá ter.
Por isso é importante, pensar no significado e no valor emocional da coisa a ser tatuada, porque a tatuagem não é somente um desenho ou um nome eternizado na pele, a tatuagem carrega consigo, uma história, uma identidade e um significado que os outros não irão compreender e nem precisam compreender, mas devemos ter a maturidade de tatuar algo que com o passar do tempo não nos trará sentimentos de arrependimento e nos obrigue a fazer correções, que muitas vezes serão figuras ou nomes sem nenhum significado e nem valor emocional.