Líder da ND reuniu-se com o PSD e o CDS para estabelecer parcerias de formação, comunicação política e organização eleitoral. O partido prepara o seu segundo congresso, marcado para Dezembro de 2027, e procura investidores para Moçambique.
O presidente da Nova Democracia (ND), Salomão Muchanga, procura reforçar a capacidade organizacional e eleitoral do partido através de parcerias com formações políticas portuguesas, numa estratégia de preparação para os próximos ciclos eleitorais em Moçambique. A iniciativa foi um dos principais resultados da visita que efectuou a Portugal, de 19 a 26 de Outubro, durante a qual manteve encontros com representantes do Partido Social Democrata (PSD) e do CDS.
Em conferência de imprensa, realizada esta quinta-feira (29 de Outubro), em Maputo, Muchanga anunciou que os encontros serviram para estabelecer as bases de protocolos de amizade e cooperação destinados à capacitação de quadros, organização partidária, comunicação política e partilha de experiências na coordenação de campanhas eleitorais.
A estratégia contempla igualmente a governação local, através do intercâmbio entre representantes da Nova Democracia na Assembleia Municipal de Gurué e municípios portugueses governados pelos partidos com os quais a formação moçambicana pretende cooperar.
A iniciativa enquadra-se nos esforços de internacionalização da ND e de reforço da sua preparação política e institucional, tendo em vista as eleições autárquicas de 2028 e as eleições gerais de 2029.
Diplomacia partidária e oportunidades económicas
Para além dos contactos com o PSD e o CDS, Muchanga reuniu-se com a secretária-executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tendo defendido uma organização mais interventiva nas áreas da língua, história, cultura, negócios e segurança.
O dirigente manteve igualmente contactos com a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e a Casa da América Latina, em Portugal, onde foram discutidas possibilidades de atrair investidores para Moçambique a partir de 2027, sobretudo para os sectores da agricultura e do turismo.
No domínio da formação, o líder da ND afirmou que a relação com a Casa de Moçambique em Portugal permitirá dar continuidade às bolsas de estudo destinadas aos quadros do partido. Segundo explicou, a formação já conta com uma estudante em Coimbra, em 2026, e prevê aumentar o número de beneficiários no próximo ano.
Muchanga revelou ainda que a ND convidou representantes do PSD e do CDS a participarem no seu segundo congresso, previsto para 17 e 18 de Dezembro de 2027, no distrito da Manhiça, província de Maputo, onde se espera reunir cerca de mil delegados provenientes de todas as províncias do país.
ND prepara congresso e programa político para 2028-2032
O presidente da Nova Democracia anunciou a constituição do gabinete central de preparação do congresso, que será coordenado pela secretária-geral do partido, Madalena Madjila. A estrutura contará com áreas dedicadas à organização, relações institucionais, documentação, comunicação, logística, acção social, actividades complementares e mobilização de recursos.
O congresso deverá eleger os órgãos do partido, incluindo a Comissão Política, o Comité Executivo Nacional e o Secretariado-Geral, além de aprovar o Programa Político para o período 2028-2032.
De acordo com Muchanga, o documento servirá de base à elaboração dos manifestos eleitorais para as eleições autárquicas de 2028 e as eleições gerais de 2029. As teses do programa deverão ser lançadas em Abril de 2027, para permitir a participação pública na discussão e formulação das propostas políticas da formação.
A agenda do congresso inclui também a aprovação dos candidatos às eleições autárquicas de 2028. Muchanga afirmou que pretende consolidar a democracia interna, reforçar a coesão partidária e transformar a ND num exemplo de organização democrática.