ECA homenageia músico e etnomusicólogo pelo contributo à identidade moçambicana
A música pode fazer aquilo que muitas vezes a diplomacia formal não consegue: atravessar fronteiras sem precisar de tradução. É a partir dessa perspectiva que a Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) homenageia, esta sexta-feira, 18 de Setembro, o músico e etnomusicólogo Moreira Chonguiça.
A cerimónia, marcada para as 09h00, na Sala Magna da ECA, em Maputo, junta academia, artistas, diplomatas e parceiros da carreira do músico, numa iniciativa que coloca a cultura no centro da discussão sobre a projecção de Moçambique no mundo.
Para a ECA, o reconhecimento está ligado ao contributo de Moreira Chonguiça para a identidade moçambicana, particularmente através da música e do jazz, linguagem artística que o músico tem usado para transportar referências da cultura nacional para diferentes palcos e públicos.
Mas a homenagem não ficará limitada ao reconhecimento da sua trajectória artística. Moreira Chonguiça será também orador numa palestra subordinada ao tema “Diplomacia Cultural como Vector de Transformação Social”, levando para o espaço académico uma discussão sobre a capacidade das artes de representar identidades, criar pontes e produzir diálogo entre sociedades.
É nesse cruzamento entre arte, identidade e relações culturais que a homenagem ganha uma dimensão mais ampla. Moreira Chonguiça deixa de ser apenas artista reconhecido para assumir também o papel de interlocutor numa reflexão sobre o lugar da cultura na sociedade contemporânea.
A sessão contará com a presença do Reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, membros da direcção e docentes da ECA, representantes do corpo diplomático, artistas e parceiros ligados à marca Moreira Chonguiça.
A iniciativa acontece num espaço particularmente simbólico: uma instituição dedicada à formação e investigação nas áreas da comunicação e das artes. Ao acolher a homenagem, a ECA estabelece uma ponte entre a experiência de um artista com projecção internacional e o universo académico onde se discutem os processos de construção e representação da identidade cultural.
A cerimónia poderá, assim, servir também para questionar até que ponto a cultura moçambicana pode ser utilizada como instrumento de diálogo, influência e aproximação internacional.
No caso de Moreira Chonguiça, essa discussão parte de uma trajectória construída através da música, mas aponta para uma questão maior: o que pode a cultura fazer por Moçambique quando deixa de ser vista apenas como entretenimento e passa a ser entendida como património, identidade e instrumento de transformação?