José Norberto condena violência policial contra membros do Anamola em Quelimane

O artista plástico José Norberto condenou a violência policial registada este sábado na cidade de Quelimane, na sequência da intervenção da Polícia da República de Moçambique (PRM) contra membros e simpatizantes do partido Anamola.

Norberto reagiu às imagens que circulam mostrando agentes da Polícia a confrontarem e atingirem manifestantes, questionando a motivação para o recurso à força contra cidadãos que, segundo as imagens divulgadas, se encontravam desarmados.

“Não sei qual foi a motivação da Polícia ao fazer isto. Mas atingir pessoas desarmadas é um acto de cobardia”, sublinhou.

O artista questiona ainda a utilização de meios bélicos contra cidadãos em manifestações políticas, defendendo que a força e capacidade operacional das autoridades deveriam estar concentradas no combate aos grupos armados que actuam em Cabo Delgado.

“Se a Polícia Moçambicana é forte, deveria lutar contra os terroristas em Cabo Delgado que têm os mesmos meios bélicos e não contra pessoas desarmadas”, afirmou.

A intervenção de José Norberto surge num contexto de crescente debate sobre a actuação das forças de segurança perante manifestações e actividades políticas no país, particularmente depois dos episódios registados este sábado em Quelimane, onde houve relatos de uso de gás lacrimogéneo e de armas de fogo.

José Norberto é uma referência das artes plásticas moçambicanas e tem-se destacado não apenas pela sua produção artística, mas também pela intervenção pública em questões de natureza social e política.

Com uma presença particularmente activa nas redes sociais, o artista tornou-se uma das vozes mais interventivas do meio artístico nacional, utilizando estas plataformas para comentar acontecimentos que considera relevantes para a sociedade moçambicana.

A sua reacção aos acontecimentos de Quelimane junta-se a outras manifestações públicas de preocupação em torno da violência registada durante a intervenção policial e volta a colocar em causa os limites da actuação das forças de segurança perante cidadãos em contexto de mobilização política.

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