Após visita a um dos portos mais avançados do mundo, empresários moçambicanos defendem transferência urgente de tecnologia para enfrentar ineficiências estruturais que encarecem a economia nacional
Moçambique pode estar diante de uma viragem estratégica no seu sistema logístico, com a Federação de Desenvolvimento Empresarial de Moçambique (FDEM) a apontar para o modelo chinês como referência para modernizar os portos nacionais e reduzir custos operacionais que continuam a travar a competitividade das empresas.
O contraste é evidente: enquanto Moçambique enfrenta limitações como baixa digitalização, fraca articulação entre transporte ferroviário, rodoviário e marítimo, e custos logísticos elevados, o porto chinês opera com sistemas altamente automatizados, baseados em inteligência artificial e redes 5G, com mínima intervenção humana.
Este modelo permite maior rapidez, precisão e redução significativa de custos — factores que, segundo especialistas, são determinantes para impulsionar o comércio e atrair investimento.
Face a este cenário, a FDEM defende a criação de uma parceria estratégica com a China para transferência de tecnologia e conhecimento, com foco na modernização das infraestruturas portuárias nacionais, digitalização dos processos logísticos e desenvolvimento de um sistema multimodal eficiente.
Entre as prioridades destacadas estão a melhoria do manuseamento de carga, a integração entre porto, ferrovia e rodovia, bem como a revitalização da cabotagem marítima, actualmente pouco explorada no país.
A aposta surge num momento crítico, em que os custos logísticos continuam a penalizar o sector privado, encarecendo produtos e limitando a capacidade de exportação.
A experiência em Suzhou reforça, assim, um alerta: sem uma transformação estrutural e tecnológica do sistema logístico, Moçambique corre o risco de continuar a perder competitividade numa economia global cada vez mais orientada pela eficiência e inovação.
A FDEM garante estar empenhada em mobilizar investimentos e acelerar parcerias que possam colocar o país numa nova rota logística — mais moderna, integrada e competitiva.