O jornalista e cronista moçambicano Arune Valy regressa ao panorama literário com o lançamento da sua mais recente obra, “Ndalewa Ine”, marcado para esta sexta-feira, 24 de Abril, às 16 horas, na Associação dos Escritores Moçambicanos, em Maputo.
A obra reúne 130 crónicas originalmente escritas e difundidas na Rádio Moçambique desde o ano 2000, compondo um retrato íntimo e reflexivo do quotidiano moçambicano. Ao longo de 288 páginas, o autor organiza os textos em quatro capítulos temáticos — Mitos e Tradições; Viagens e Sonhos; Memórias, Comentários e Reflexões; e Crítica Social — apresentados em ordem cronológica inversa, começando pelos mais recentes.
Os capítulos são visualmente separados por ilustrações do artista plástico Newton Joaneth, que acrescentam uma dimensão estética à narrativa.
No prefácio, intitulado “Rir para não esquecer – Ndalewa Ine”, Jorge Ferrão destaca o papel da crónica como ferramenta de vigilância social num país onde a tradição oral antecede a escrita. Para o académico, Arune Valy integra uma “linhagem rara de observadores” que privilegiam a escuta, o humor e a ironia como formas de interpretar e devolver à sociedade o seu próprio reflexo.
A publicação surge também como uma homenagem à Rádio Moçambique, instituição que moldou gerações de profissionais e onde Arune Valy se destacou como o primeiro cronista a manter uma rubrica semanal exclusiva na Antena Nacional.
Outra marca distintiva da obra é a recriação linguística, com a introdução de neologismos — grafados em itálico — que desafiam as normas convencionais da língua e convidam o leitor a um exercício activo de interpretação.
Sobre o autor
Nascido a 11 de Setembro de 1955, na cidade de Tete, Arune Valy é uma figura incontornável da radiodifusão nacional. A sua carreira começou de forma improvável: da construção civil transitou para o jornalismo, movido por uma paixão antiga pela rádio e pela narrativa desportiva.
Autor de “Coisas de Tete” (2003), obra que explorou os mistérios e realidades daquela província, Valy construiu ao longo das décadas uma escrita marcada pelo humor, pela metáfora e pelo fascínio pelos mitos e pelas singularidades do quotidiano.
Hoje, entre memórias e reflexões, continua a reinventar a crónica como espaço de liberdade criativa e observação crítica da sociedade.