Abdul Gafur aposta no cidadão para financiar transformação urbana na Matola Rio

Gestão estratégica

Com receitas limitadas pelo reduzido contributo do parque industrial, o Município da Matola Rio está a redefinir a sua estratégia de governação, apostando na economia local e na mobilização de recursos internos para financiar investimentos estruturantes e responder ao crescimento acelerado da população.

A dependência das receitas provenientes dos munícipes e do setor informal está a moldar uma nova abordagem de governação no Município da Matola Rio, onde a baixa contribuição do parque industrial — devido a incentivos fiscais associados às zonas francas — limita a capacidade financeira da edilidade.

Perante este cenário, o presidente do município, Abdul Gafur, assume uma estratégia centrada no cidadão como principal base de sustentação financeira. Pequenos negócios, mercados, barracas e atividades comerciais locais constituem hoje o núcleo das receitas municipais, numa altura em que a população já ultrapassa, de forma estimada, os 140 mil habitantes.

“É o cidadão da Matola Rio que sustenta o município”, afirmou Gafur em entrevista exclusiva ao Lupa News, evidenciando uma realidade que contrasta com o potencial industrial da região.

Apesar das limitações, o município está a avançar com uma agenda de investimento em sectores críticos. O abastecimento de água surge como prioridade máxima, num contexto em que apenas cerca de 65% da população tem acesso ao serviço, ficando ainda entre 30% a 35% por cobrir.

Para enfrentar este desafio, a edilidade já dispõe de um projeto técnico para reforçar o sistema, incluindo a instalação de uma nova conduta para aumentar o caudal. O investimento necessário é estimado em milhões de dólares, estando atualmente em curso esforços para mobilizar financiamento.

“Aquilo que foi planificado há alguns anos já não responde à realidade atual. O crescimento é constante e exige soluções estruturais”, reconheceu o edil.

Enquanto a solução definitiva não se concretiza, iniciativas complementares continuam a garantir algum alívio. Um sistema de abastecimento apoiado pela Mozal já beneficia mais de 300 famílias, com garantia de continuidade, embora o município reconheça a necessidade de expansão para cobrir zonas ainda carenciadas, como os bairros de Jubabé e Beliluano.

No domínio das infraestruturas, a edilidade está a investir na pavimentação de uma via de 12 quilómetros na zona do quilómetro 16, projetada para funcionar como eixo estruturante da mobilidade urbana. A estrada deverá reduzir a pressão sobre a Rua da Mozal e abrir novas oportunidades para o desenvolvimento económico e habitacional.

Em paralelo, decorre um processo de reorganização territorial, com foco na legalização de construções e parcelamento de terrenos. O bairro de Jonás está a ser desenvolvido como modelo de urbanização planeada, contrastando com o crescimento desordenado que marcou fases anteriores da expansão da vila.

A gestão de resíduos sólidos também está a ser reforçada, com a colocação gradual de contentores e a previsão de introdução de uma taxa de lixo, medida considerada essencial para garantir a sustentabilidade do sistema.

Na área de energia, o município trabalha em coordenação com a EDM para aumentar a capacidade da rede elétrica, através da instalação e modernização de postos de transformação, acompanhando o crescimento da procura.

Com uma base fiscal limitada, mas com pressão demográfica crescente, a Matola Rio emerge como um caso de gestão municipal assente na adaptação e na mobilização de recursos locais. A estratégia liderada por Abdul Gafur aponta para uma transformação gradual, onde o cidadão deixa de ser apenas beneficiário e passa a ser o principal financiador do desenvolvimento urbano.

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