Jornalismo ao pormenor

Os primeiros sinais do aborto do Diálogo Nacional Inclusivo

Por Damião Cumbane

Ivone Soares foi a cara eleita para implementar a teoria de Noha Chomsky, relativamente as medidas impopulares.

Reza a teoria que “os regimes autoritários, quando introduzem medidas sobre as quais tem a plena consciência da sua impopularidade, fazem-no de forma gradual, gota-a-gota, de forma suave…”, de modo evitar convulções sociais.

Na mesma vertente, a pessoa ou a cara responsável por trazer a público essa nova medida, é indicada, dentre as pessoas susceptíveis de não provocar reacções contrárias visando com isso minimizar os actos de contestação.

No caso, não foi obra do acaso, ter sido indicada a figura da Ivone Soares. A responsabilidade poderia ter dido qualquer outra pessoa, desde que não fosse do Governo ou do partido governante.

Uma medida impopular, quando vem a público da voz ou cara de quem a deveria contestar, isso tem o seu efeito psicológico, gera um misto de confusão dentre os que deveriam contestar.

Depois de meses de audições, o COT, trouxe, como a sua primeira e pleliminar conclusão, a criminalização da divulgação antecipada dos resultados eleitorais.

Se assim é, significa que, na comunicação subsequente, a Ivone Soares virá a público para anunciar que a outra grande conclusão extraida das audições feitas é que “fica abolida a contagem paralela de votos”.

Com efeito, não faria sentido manter a contagem paralela de votos, se os partidos políticos não devem divulgar os resultados da sua contagem paralela antes que o STAE, a CNE e o Conseljo Constitucional o façam.

Ora, não faz, nem nunca fez qualquer sentido que um estudante, nas vésperas do fim do ano lectivo, quando questionado sobre o que espera do seu desempenho escolar, ele diga que “não sei, depende do professor”.

Se assim for, significa que o aluno ou estudante, não tem qualquer noção do trabalho que andou a fazer, nem valoriza as notas contidas nos testes que foi recebendo dos professores.

Aluno que não valoriza as notas dos testes que fez e recebeu dos professores, significa que ele está a abrir caminho para que os professores ditem para a pauta, as notas que bem entenderem, sabendo o aluno que ele é estudante de 15, 16, 17, 18, 19 ou 20 entretanto, sobre o seu aproveitamento, ele não deve dizer ou prever nada pois, tem de ficar a espera das notas de 8, 9 ou 10, que os professores vão entender dar.

Não se deve perder de vista que cada mesa de votação, no fim do escrutínio, há editais que são distribuidas a todas as partes interessadas, desde os partidos políticos, organizações da sociedade civil, Imprensa, sem descurar os observadores.

Para quê é que tais editais seriam distribuidos se todos devem ficar a espera dos resultados das instituições que são responsáveis por sabotar os processos eleitorais?

Os responsáveis pelos problemas das nossas eleições não são os partidos políticos. As fontes de tudo o que acontecem com as nossas eleições são os próprios órgão de administração eleitoral, coadjuvados pela Polícia que nunca souberam tratar de igual forma os diferentes concorrentes dos processos eleitorais.

A aparição da Ivone Soares não passou do primeiro grande sinal de um previsível aborto de Diálogo Nacional Inclusivo.

Ficarei muito feliz se eu poder estar equivocado porque aí, qiem vai ganhar é o Povo Moçambicano.

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