Jornalismo ao pormenor

Julião Cumbane acusa ministro da Agricultura de privilegiar discursos em detrimento de resultados

Comentador questiona desempenho de Roberto Albino e desafia Daniel Chapo a exigir resultados, transparência e competência na condução dos sectores da Agricultura, Ambiente e Pescas.

O desempenho do ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, está a ser questionado por Julião Cumbane, que considera haver um desfasamento entre os discursos do governante e os resultados concretos esperados na transformação dos sectores sob sua responsabilidade.

Numa publicação de opinião, Cumbane recupera a declaração feita em Julho por Roberto Albino, segundo a qual Moçambique poderia deixar de importar hortícolas, para questionar a ausência de um horizonte temporal e de instrumentos concretos que permitam materializar essa ambição.

Para o comentador, apesar das promessas de reforço da produção nacional, o país continua dependente das importações de produtos agrícolas dos países vizinhos, sem conseguir assegurar alimentos suficientes para o consumo interno.

As críticas estendem-se à gestão dos contratos públicos no sector. Cumbane faz referência à informação divulgada pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), segundo a qual o Tribunal Administrativo rejeitou um contrato avaliado em 130 milhões de meticais com uma empresa alegadamente ligada ao ministro, defendendo que o Governo deve esclarecer os mecanismos de garantia da concorrência e transparência nos processos de contratação.

Na avaliação de Cumbane, a actuação de um ministro deve ser medida pela capacidade de formular políticas públicas, assegurar a sua implementação e apresentar resultados verificáveis, e não apenas pela frequência de discursos e deslocações institucionais.

O comentador afirma não encontrar indicadores públicos que permitam avaliar os progressos na produção agrícola, no apoio aos camponeses, no abastecimento da agro-indústria, na protecção ambiental e na promoção de pescas sustentáveis.

É neste contexto que dirige o seu questionamento ao Presidente da República, Daniel Chapo, a quem reconhece a ambição de transformar a agricultura moçambicana, mas desafia a rodear-se de dirigentes com competência técnica, integridade e experiência nos sectores que tutelam.

Na passagem mais contundente da sua intervenção, Cumbane considera que o Chefe do Estado não deve manter junto de si um ministro que, na sua leitura, privilegia discursos em detrimento da produção de políticas adequadas e de resultados concretos.

O comentador defende ainda que Moçambique dispõe de quadros com capacidade para assumir a liderança destes sectores e apela ao fim do que considera ser a falta de seriedade na condução da Agricultura, Ambiente e Pescas.

“Queremos trabalho com resultados positivos; não discursos eloquentes com promessas vazias”, escreve Cumbane, numa crítica que coloca em debate não apenas o desempenho de Roberto Albino, mas também os critérios de escolha e responsabilização dos membros do Governo.

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