
Relatório do MOPHRH aponta infiltrações, fissuras estruturais, cablagem exposta e ausência de sistemas contra incêndios em imóveis com mais de 50 anos, alertando para perigo real à segurança pública.
Um relatório técnico do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH) traça um cenário preocupante sobre o estado de conservação de edifícios públicos e privados na cidade de Maputo, apontando para riscos efectivos à segurança de pessoas e bens.
A avaliação, realizada com base numa amostra de 11 edifícios, identificou sinais consistentes de degradação, alguns classificados como críticos. O levantamento surge na sequência de um incidente registado na Avenida Filipe Samuel Magaia, onde parte do revestimento de um edifício se desprendeu e caiu sobre o passeio público.
O caso levou à criação de uma equipa conjunta de inspecção, integrando o Laboratório de Engenharia de Moçambique (LEM), a Inspecção-Geral das Obras Públicas (IGOP), a Direcção Nacional de Edifícios (DNE) e a Administração do Parque Imobiliário do Estado (APIE).
Segundo o documento, uma parte significativa do parque edificado da capital tem mais de 50 anos, o que, aliado à ausência de manutenção sistemática, está a acelerar o processo de degradação.
Problemas estruturais e risco crescente
A inspecção identificou cinco tipos principais de anomalias: não estruturais, estruturais, hidráulicas, eléctricas e de salubridade.
Entre os problemas não estruturais destacam-se o desprendimento de rebocos, degradação de pinturas, fissuras em paredes e presença de fungos e vegetação.
Já nas anomalias estruturais, consideradas mais graves, foram detectadas fissuras em elementos resistentes, corrosão de armaduras, destacamento de betão e infiltrações que comprometem o betão armado. Em alguns casos, foram ainda observadas sobrecargas devido à instalação de equipamentos sem validação técnica.
No sistema hidráulico, predominam fugas de água, infiltrações generalizadas e sistemas de drenagem obstruídos, além da ausência ou inoperacionalidade de equipamentos de combate a incêndios.
Quanto às anomalias eléctricas, o relatório destaca quadros desorganizados, cabos expostos e equipamentos sujeitos à humidade — factores que elevam o risco de curto-circuito e incêndios.
No campo da salubridade, as condições são igualmente alarmantes, com presença de água estagnada, humidade persistente, acumulação de resíduos e proliferação de fungos, afectando directamente a saúde dos ocupantes.
Autoridades alertam para agravamento
Apresentado pelo inspector-geral das Obras Públicas, Saturino Chemneze, e pelo director do LEM, Carlos Cumbana, o relatório conclui que a degradação dos edifícios é activa e progressiva, sendo agravada pela infiltração constante e falta de manutenção preventiva.
As autoridades alertam que, sem intervenções urgentes, o cenário tende a agravar-se, aumentando o risco de incidentes e elevando significativamente os custos de reabilitação no futuro.
Perante este quadro, o MOPHRH recomenda a adopção imediata de medidas de manutenção correctiva e preventiva, bem como a reabilitação estrutural dos edifícios e o reforço da fiscalização técnica, com vista a garantir segurança, funcionalidade e habitabilidade.