Jornalismo ao pormenor

HCB vai abrir comporta de Cahora Bassa durante manutenção

Operação vai libertar água para o Zambeze e garantir o chamado caudal ecológico

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) vai abrir, no próximo domingo, 20 de Setembro, um dos descarregadores de meio-fundo da barragem de Cahora Bassa, numa operação programada para garantir que o rio Zambeze continue a receber água durante a paragem anual da central para manutenção.

A operação decorrerá entre as 05h00 e as 18h00, com o descarregador aberto a 80%. Segundo a HCB, trata-se de uma manobra pontual, controlada e tecnicamente aprovada, realizada no contexto da paragem total da Subestação de Songo e dos trabalhos anuais de manutenção do parque electroprodutor.

Mas o que significa, na prática, esta operação?

A barragem de Cahora Bassa funciona como uma enorme reserva de água. Em condições normais, parte dessa água é utilizada para produzir electricidade e, depois, continua o seu percurso pelo rio Zambeze. Quando o sistema de produção é temporariamente parado para manutenção, é necessário encontrar uma forma de assegurar que o rio não deixe de receber o volume de água necessário à sua dinâmica natural. É para esse efeito que será utilizado o descarregador.

Água continuará a correr pelo Zambeze

Um descarregador é uma estrutura que permite libertar água armazenada numa barragem. Neste caso, trata-se de um descarregador de meio-fundo, ou seja, uma estrutura localizada numa zona intermédia da barragem, utilizada para permitir a saída controlada de água da albufeira.

A sua abertura a 80% permitirá a passagem de água para o rio Zambeze durante o período definido pela HCB.

O objectivo principal é assegurar o caudal ecológico, expressão usada para designar o fluxo de água necessário para manter as condições ambientais e ecológicas do rio.

Na prática, isto significa garantir que o Zambeze continue a ter água suficiente para sustentar os seus ecossistemas e as actividades que dependem do rio.

Peixes e outras espécies aquáticas, vegetação ribeirinha e comunidades que vivem e desenvolvem actividades ao longo do rio dependem, em diferentes níveis, da existência de um fluxo regular de água.

Por isso, mesmo quando a produção de electricidade está temporariamente interrompida, a gestão da barragem precisa de continuar a considerar o funcionamento do rio.

Não se trata de uma descarga de emergência

A HCB esclarece que a operação de 20 de Setembro não corresponde a uma descarga de emergência nem significa uma mudança da estratégia de gestão da água armazenada em Cahora Bassa.

Trata-se, segundo a empresa, de uma operação previamente programada e controlada, enquadrada nos requisitos ambientais e nos procedimentos de gestão da albufeira.

A empresa diz que a decisão considera também as actuais condições operacionais do sistema e as previsões hidrológicas e climáticas para a próxima época chuvosa.

Entre os factores considerados estão os cenários relacionados com o fenómeno El Niño, que pode influenciar as condições de precipitação e disponibilidade de água na região.

Comunidades ribeirinhas são parte importante da equação

A operação interessa particularmente às populações que vivem ao longo do Zambeze, desde as zonas próximas da barragem até às áreas a jusante.

A HCB diz que a libertação controlada de água pretende contribuir para a manutenção das condições necessárias ao equilíbrio do rio e às actividades desenvolvidas pelas comunidades ribeirinhas.

Ao mesmo tempo, a empresa afirma que a operação será realizada dentro dos parâmetros de segurança estabelecidos, mantendo o acompanhamento das condições do sistema.

A mensagem fundamental da HCB é, portanto, que a paragem da central para manutenção não significa a interrupção do fluxo do Zambeze. A água continuará a ser libertada de forma controlada para garantir as necessidades ecológicas do rio.

A empresa reitera ainda o compromisso de manter as comunidades e outras partes interessadas informadas sobre operações relevantes relacionadas com a gestão de Cahora Bassa.

A operação de 20 de Setembro insere-se, assim, num equilíbrio entre três necessidades: manter a central em condições para continuar a produzir energia, gerir cuidadosamente a água armazenada e assegurar que o Zambeze continue a desempenhar as suas funções naturais e sociais.

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