Grupo seguia em direcção à África do Sul e foi interceptado após perseguição policial; autoridades investigam possível rede de tráfico de migrantes.
Quinze cidadãos de nacionalidade etíope foram detidos pelas autoridades migratórias na província da Zambézia por entrada e permanência ilegal em território moçambicano, num caso que voltou a expor a utilização de Moçambique como corredor de trânsito para migrantes que procuram chegar à África do Sul.
De acordo com informações divulgadas pelos Serviços Provinciais de Migração e pela Polícia da República de Moçambique (PRM), os cidadãos estrangeiros foram interceptados durante uma operação de fiscalização realizada ao longo das principais rotas de circulação da província.
As autoridades explicam que o grupo era transportado numa viatura cujo condutor desobedeceu a uma ordem de paragem emitida num posto de controlo, desencadeando uma perseguição policial. A viatura acabaria por ser localizada no distrito de Ile, enquanto o motorista conseguiu colocar-se em fuga e continua a ser procurado pelas autoridades.
Segundo o responsável pelas relações públicas da Direcção Provincial de Migração da Zambézia, a maioria dos cidadãos etíopes não possuía documentação legal que justificasse a sua permanência no país, situação que motivou a sua retenção para efeitos de averiguação e instauração dos procedimentos previstos na legislação migratória moçambicana.
As investigações preliminares apontam que os migrantes utilizavam a província da Zambézia apenas como rota de passagem, tendo como destino final a República da África do Sul, onde pretendiam estabelecer-se em busca de melhores oportunidades de vida.
Os Serviços de Migração consideram que o caso reforça as suspeitas sobre a existência de redes organizadas de facilitação da imigração irregular que operam ao longo da região da África Austral. As autoridades asseguram que as diligências continuam para identificar os responsáveis pelo transporte do grupo e eventuais cúmplices envolvidos na facilitação da travessia ilegal de fronteiras.
Entretanto, os 15 cidadãos etíopes permanecem sob custódia das autoridades competentes enquanto decorrem os trâmites legais que poderão culminar com o seu repatriamento ou outras medidas previstas na legislação em vigor.
O caso surge numa altura em que as autoridades migratórias moçambicanas reforçam as operações de fiscalização nas fronteiras e corredores de circulação, numa tentativa de travar o crescimento dos fluxos migratórios irregulares que utilizam o país como ponto de passagem para outros destinos da região.