Empreendedor questiona ensino e defende mais competências para gerar rendimento

Arcélio Tivane defende que formação académica deve ser acompanhada por conhecimentos práticos de vendas, investimento, tecnologia e criação de negócios

O treinador motivacional e empreendedor Arcélio Tivane lançou um debate sobre a relação entre formação académica, emprego e capacidade de gerar rendimento, defendendo que o sistema de ensino precisa aproximar-se mais das exigências do mercado.

Numa publicação nas redes sociais, Tivane questiona um modelo que, segundo ele, prepara sobretudo os estudantes para obter boas notas, conquistar um diploma e procurar emprego, mas dedica pouca atenção à criação de negócios, gestão financeira, vendas, investimento e construção de património.

“Diploma não é sinónimo de riqueza” e “estudar não significa aprender a ganhar dinheiro” são algumas das ideias apresentadas pelo empreendedor, que considera existir uma distância significativa entre aquilo que muitos jovens aprendem nas instituições de ensino e a capacidade de transformar esse conhecimento em rendimento.

Tivane chama ainda atenção para situações em que actividades informais ou pequenos negócios podem gerar rendimentos superiores aos de algumas profissões qualificadas. Como exemplo, cita agentes de carteira móvel, defendendo que o fenómeno deve levar a uma reflexão sobre as competências que o mercado realmente valoriza.

Para o empreendedor, o problema não está no agente de carteira móvel nem na formação académica em si, mas na necessidade de complementar a educação formal com competências práticas.

Entre as áreas que considera importantes estão vendas, investimentos, tecnologia, relacionamento profissional e capacidade de identificar problemas e transformá-los em oportunidades de negócio.

“Não abandone a escola. Crie a sua própria universidade”, recomenda Tivane, apelando aos jovens para que combinem a formação tradicional com leitura, experiências de negócio, aprendizagem prática e contacto permanente com o mercado.

A reflexão surge num contexto em que milhares de jovens procuram anualmente entrar no mercado de trabalho, enquanto empresas e empreendedores enfrentam desafios relacionados com a disponibilidade de competências adequadas às necessidades da economia.

Tivane defende, por isso, que o debate sobre educação não deve limitar-se ao número de pessoas formadas, mas também considerar o que acontece depois da formação: quantos conseguem criar negócios, gerar rendimento, resolver problemas e transformar conhecimento em valor económico.

O empreendedor termina a sua publicação com uma provocação: se o actual modelo de ensino está a produzir os resultados esperados, por que razão existem tantos formados e, ao mesmo tempo, pouca transformação económica?

A discussão é também apresentada como parte da preparação para o programa intensivo “Ideias e Negócios”, promovido por Tivane.

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