Numa mensagem que representa uma tentativa de deslocar o centro da renovação da retórica para a execução, o Presidente da Frelimo defendeu que o trabalho político deve acontecer onde as pessoas vivem e trabalham. Mas há um ponto político que atravessa todo o discurso: a necessidade de recuperar confiança.
O Presidente da FRELIMO e da República, Daniel Chapo, encerrou, no domingo , em Chimoio, a 11ª Conferência Nacional de Quadros do partido com uma mensagem que procura marcar uma viragem: a renovação da FRELIMO deve começar dentro da própria organização e traduzir-se em resultados concretos na vida dos moçambicanos.
Sob o lema “Renovar Moçambique: Uma Nova Era, Um Pacto com o Povo”, Chapo afirmou que o encontro não pode terminar apenas com discursos, recomendações e declarações de intenções.
“Ouvir e auscultar só têm valor quando produzem mudança”, afirmou, numa das passagens mais fortes do discurso. Para o líder da FRELIMO, recolher as preocupações dos cidadãos sem capacidade de transformar essas preocupações em respostas concretas significaria frustrar a confiança depositada no partido.
A mensagem representa uma tentativa de deslocar o centro da renovação da retórica para a execução. Chapo reconheceu que a organização precisa de identificar aquilo que não está a funcionar, corrigir o que funciona mal e abandonar práticas que já não produzem resultados.
“Fazer diferente significa ter coragem para reconhecer aquilo que não está a funcionar”, defendeu.
O Presidente da FRELIMO associou esta mudança à necessidade de aproximar novamente o partido das comunidades, defendendo que o trabalho político deve acontecer onde as pessoas vivem e trabalham: nos mercados, machambas, bairros, fábricas, oficinas, zonas de pesca e restantes comunidades do país.
A juventude e as mulheres aparecem igualmente como peças centrais desta renovação. Chapo defendeu a combinação entre experiência e juventude, tradição e inovação, apresentando a renovação não como ruptura com a história da FRELIMO, mas como capacidade de utilizar essa experiência para construir o futuro.
A Conferência produziu sete possíveis linhas de orientação para o próximo Congresso, entre elas unidade nacional, paz e segurança; independência económica; juventude; mulher; Estado de Direito, boa governação e descentralização; sustentabilidade do partido e os desafios da geopolítica internacional.
Mas há um ponto político que atravessa todo o discurso: a necessidade de recuperar confiança.
Chapo reconheceu que a FRELIMO opera actualmente num contexto de multipartidarismo e intensa competição política, razão pela qual, segundo ele, a ligação permanente com o povo deve ser assumida como uma missão central de cada membro e simpatizante.
A Conferência de Chimoio, contudo, não tem poder deliberativo. As suas recomendações serão submetidas ao Comité Central, reunido, extraordinariamente, hoje (26 de Agosto), na mesma cidade, antes do processo que conduzirá ao 13º Congresso da FRELIMO, previsto para 2027.
O verdadeiro teste da “nova era”, portanto, começa agora.
É nas comunidades, e não na tenda da Conferência, que a promessa de renovação terá de ser medida. E é justamente aí que Chapo colocou a fasquia: transformar escuta em decisão, decisão em acção e acção em resultados visíveis na vida do cidadão. A Conferência terminou. A promessa de mudança, agora, terá de sobreviver ao regresso à realidade.