Nova obra apresentada em Maputo propõe uma ruptura com a visão tradicional da segurança, colocando a mente humana no centro da prevenção de riscos
A segurança pode deixar de ser vista como um conjunto de regras e passar a ser entendida como um reflexo da mente humana. É essa a provocação central do livro “Cultura de Segurança, Neurociência e Comportamento Humano”, da autoria de António Araújo Costa, que será lançado nesta terça-feira, em Maputo.
O evento terá lugar no Auditório da Universidade Apolitécnica, reunindo profissionais, académicos e interessados em compreender como o comportamento humano influencia, e muitas vezes determina, os níveis de segurança em ambientes organizacionais.
A obra parte de uma ideia simples, mas pouco explorada na prática: cumprir normas não é suficiente. Para António Araújo Costa, a verdadeira segurança começa antes da acção: nasce na forma como cada indivíduo percebe o risco, gere as suas emoções e toma decisões, mesmo na ausência de supervisão.
Com apresentação de Custódio Fabião Zandamela e comentários de Mateus Zimba, o lançamento deverá transformar-se num espaço de reflexão sobre os limites das abordagens tradicionais de segurança.
Ao cruzar neurociência, psicologia e gestão, o livro propõe uma mudança de paradigma: sair da lógica do controlo e entrar no campo da consciência. Em vez de sistemas centrados na fiscalização, o autor defende culturas organizacionais baseadas em valores como ética, responsabilidade e maturidade emocional.
Uma crítica silenciosa aos modelos tradicionais.
Sem recorrer a um tom confrontacional, a obra levanta uma crítica implícita às práticas ainda dominantes em muitas organizações, onde a segurança é tratada como formalidade, muitas vezes reduzida a relatórios, indicadores e cumprimento mínimo de exigências legais.
Neste contexto, o livro sugere que o chamado “erro humano” não pode ser analisado de forma isolada. Pelo contrário, deve ser compreendido como resultado de processos mentais, pressões organizacionais e culturas institucionais que moldam comportamentos.
Escrito numa linguagem acessível, o trabalho procura aproximar o rigor científico da experiência quotidiana. Mais do que explicar conceitos, o autor tenta tornar visível aquilo que normalmente passa despercebido: os mecanismos internos que influenciam decisões e atitudes.
Essa abordagem transforma o livro numa ponte entre diferentes universos- da ciência à filosofia, da gestão à ética — ampliando o debate sobre segurança para além do espaço corporativo.
Um livro técnico com alcance cultural
Embora dirigido a profissionais de segurança, líderes e estudantes, o livro abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre o comportamento humano. Ao questionar o que orienta as escolhas individuais, a obra posiciona-se também no campo cultural — como um convite à introspecção.
Porque, no fundo, como sugere António Araújo Costa, falar de segurança é falar daquilo que define o ser humano quando ninguém está a observar.
Administrador da CERTIFICARE, o autor construiu a sua carreira na intersecção entre prática profissional e investigação académica.
Licenciado em Gestão Financeira, mestre em Comportamento do Consumidor com foco em neurociência e actualmente doutorando em Psicologia, reúne experiência técnica e reflexão teórica numa proposta integrada.
Mais do que um lançamento, um convite
O lançamento desta obra surge num momento em que organizações enfrentam o desafio de equilibrar produtividade com respeito pela vida humana.
Neste cenário, o livro não se limita a apresentar soluções. Propõe, antes, uma mudança de olhar: entender que a segurança não começa nos manuais — começa na mente.