António Foguete
O Fundo de Desenvolvimento Local (FDEL) foi uma das principais bandeiras do manifesto de Daniel Chapo nas últimas eleições gerais. Criado em Fevereiro de 2025, o projecto começa agora a entrar naquela fase em que já não basta falar de expectativas, é preciso medir resultados.
Já houve muito barulho em torno da eficácia desta iniciativa. Mas, quando a imprensa começa a trazer dados, evidências e testemunhos concretos sobre os seus resultados, precisamos de prestar atenção. Uma coisa é falar movido pela emoção ou pela simpatia política, outra, completamente diferente, é confrontar opiniões com factos. E aí que começa uma discussão séria sobre se o FDEL está, de facto, a cumprir a promessa de transformar oportunidades em emprego e desenvolvimento nas comunidades.
Uma reportagem publicada esta semana pelo Jornal Moçambique oferece alguns sinais interessantes. Mais do que apresentar números, o jornal foi às comunidades e encontrou histórias de pessoas que aceitaram partilhar suas experiências.
Dados oficiais citados pelo Jornal Moçambique indicam que o FDEL já terá contribuído para a criação de cerca de 43 mil postos de trabalho directos e tantos outros indirectos, abrangendo os 144 distritos e as 65 autarquias do país. Estima-se ainda que cerca de 112 mil pessoas tenham sido directamente beneficiadas, sendo mais de 60% dos beneficiários jovens.
Na cidade da Beira, por exemplo, o Jornal Moçambique relata o caso de uma jovem que abriu um salão de beleza no Bairro de Maraza, no Posto Administrativo da Munhava, com 150 mil meticais do FDEL. Três meses depois, o negócio já tinha criado um posto de trabalho.
No Bairro de Intaka, há quem conseguiu retomar a actividade comercial depois de ter perdido o seu estabelecimento num roubo, em 2019. Com 70 mil meticais recebidos, abriu uma mercearia e contratou um colaborador.
Há ainda o caso de uma cidadão, também da Matola. Segundo o Jornal Moçambique, recebeu 100 mil meticais para desenvolver a Lalo’s Elegance, empresa de prestação de serviços de protocolo para eventos sociais, corporativos e cerimónias oficiais. O negócio já terá permitido criar oportunidades de emprego para 15 jovens.
E os números apresentados no Jornal supracitado são ainda mais expressivos. Se estes números se confirmarem e forem sustentáveis, será difícil negar que o FDEL constitui uma aposta relevante para inclusão financeira de jovens e mulheres em situação de vulnerabilidade.
O mérito desta iniciava não pode ser avaliado apenas pelo número de cheques entregues ou de beneficiários contabilizados. O seu verdadeiro sucesso mede-se pela capacidade de transformar financiamento em negócios sustentáveis, rendimento e emprego duradouro.
E é precisamente aqui onde começa a grande responsabilidade dos beneficiários. Fazer com que a oportunidade recebida não termine no dinheiro, mas se transforme em trabalho, crescimento e valor para as suas comunidades. No fim, o sucesso do FDEL será tanto responsabilidade do Governo, que deve garantir acompanhamento e transparência, como daqueles que receberam a oportunidade de empreender.