72 mil bolsas desafiam Governo a transformar formação em emprego e rendimento

A presença do Ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, na Zambézia, onde acompanha os preparativos para a cerimónia central de entrega dos termos de bolsas formativas do Programa Acredita Emprega, traz uma questão importante: o que acontecerá aos jovens depois de receberem a oportunidade de formação?

A cerimónia será dirigida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, e deverá marcar o início de uma nova etapa para 72 mil jovens seleccionados em todo o país, sendo 50.400 mulheres e 21.600 homens.

O número é expressivo. Mas, do ponto de vista económico e social, o sucesso do programa não deverá ser medido apenas pela quantidade de bolsas entregues. O mais importante será saber quantos jovens conseguirão, depois da formação, encontrar emprego, iniciar uma actividade por conta própria ou transformar os conhecimentos adquiridos numa fonte estável de rendimento.

Na Zambézia, o programa abrange jovens de Quelimane, Gurúè, Ile, Inhassunge, Maganja da Costa, Milange, Mocubela, Molumbo, Mopeia, Mulevala e Nicoadala. A abrangência territorial pode ser uma vantagem, sobretudo se os cursos estiverem ligados às necessidades e às oportunidades existentes em cada distrito.

Mas há um verdadeiro desafio, que começa aqui. A formação, por si só, nem sempre garante emprego ou negócio. Para que o investimento tenha impacto, será importante que os jovens tenham acesso a equipamentos, informação sobre o mercado, acompanhamento e, quando necessário, condições para iniciar uma actividade económica.

A presença de Caifadine Manasse no terreno demonstra a preocupação do Governo em acompanhar a preparação do programa. Mas a fase decisiva será aquela que começa depois da entrega das bolsas, quando os jovens entrarem nas salas de formação e, mais tarde, procurarem transformar as competências adquiridas em oportunidades concretas.

Para o Governo, será importante acompanhar os resultados e mostrar quantos jovens concluíram a formação, quantos conseguiram emprego e quantos criaram ou consolidaram negócios.

Para os jovens, as 72 mil bolsas podem representar muito mais do que uma formação. Podem ser uma porta de entrada para a independência financeira, desde que a oportunidade seja acompanhada por condições reais para a sua utilização.

O Acredita Emprega começa, assim, com 72 mil bolsas. O seu verdadeiro impacto será conhecido quando essas bolsas se transformarem em competências, empregos, negócios e rendimentos para  famílias.

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