
Tribunal dos EUA suspende execução de reclusa 1h antes de acontecer
A execução de uma reclusa condenada à morte no Tennessee foi suspensa cerca de uma hora antes de acontecer, esta quarta-feira, após um tribunal federal de recurso ter dado conta de que pretende analisar se as alegações da mulher relativas a abuso sexual na infância foram tidas em conta na sentença.
A execução de uma mulher condenada à morte no estado norte-americano do Tennessee foi suspensa cerca de uma hora antes de acontecer, esta quarta-feira, depois de um tribunal federal de recurso ter dado conta de que tenciona analisar se as alegações da reclusa relativas a abuso sexual na infância foram devidamente tidas em conta na sentença.
Atualmente com 50 anos, Christa Gail Pike foi condenada a pena de morte por ter atraído a colega Colleen Slemmer, de 19 anos, até um local isolado perto do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville.
Na altura com 18 anos, Pike torturou Slemmer até à morte com a ajuda do namorado, Tadaryl Shipp, de 17 anos. O homem foi condenado a prisão perpétua por ser menor de idade e continua a ter direito à liberdade condicional, apesar de ter testemunhado ter sido ele quem gravou um pentagrama no peito de Slemmer. Já Shadolla Peterson, de 18 anos, fez de vigia durante o crime e ficou sujeita a liberdade condicional, pela sua cooperação.
Nesta decisão de última hora, o tribunal argumentou ter necessidade de analisar as provas apresentadas pela equipa de Pike, estando em causa a possibilidade da reabertura de um processo judicial centrado nas alegações de que a reclusa foi vítima de abuso sexual desde a infância, o que foi reconhecido pelo Estado numa audiência especial, em agosto.
A reclusa, que terá sido motivada pela crença de que a vítima queria roubar-lhe o namorado, não contestou o seu papel no assassinato, mas os seus advogados de defesa acreditam que se os detalhes sobre a sua infância, marcada por anos de abuso sexual e de negligência, tivessem sido apresentados em tribunal, a sentença de morte não seria garantida. O caso também ganhou grande repercussão após as autoridades terem afirmado que tinha ligações ao ocultismo, numa época marcada pelo fenómeno conhecido como “pânico satânico”.
“Os interesses da justiça e o caráter definitivo da execução iminente de Pike exigem a concessão de uma breve suspensão da execução, a fim de analisar devidamente os argumentos das partes, já exaustivamente apresentados, e resolver as questões com base no mérito”, asseverou o órgão judicial, citado pela NBC News.
Desconhece-se, para já, por quanto tempo é que a execução poderá ficar suspensa.
De notar que tanto o governador Bill Lee, como o Supremo Tribunal de Justiça negaram impedir a execução de Pike.
Numa carta enviada àquele canal, na segunda-feira, Pike garantiu que não tinha “medo de morrer”, mas que estava “nervosa com o processo”. “Quer me seja concedido o indulto ou não, estou em paz”, escreveu.
Pike poderá vir a primeira mulher em mais de 200 anos a ser executada no Tennessee, de acordo com registos históricos.
Desde 1976, 18 mulheres foram executadas nos Estados Unidos, correspondendo a cerca de 1% do total de execuções no país durante esse período.
Fonte: Notícias ao Minuto