Jornalismo ao pormenor

O andar de Denzel Washington em Venâncio Mondlane

Venâncio Mondlane está na lista dos políticos mais imponentes do palco moçambicano, com uma dimensão cuja presença já ultrapassa as fronteiras nacionais e é reconhecida em África e no mundo. Mas falemos da sua presença em Moçambique.

Venâncio Mondlane é um político dedicado, disciplinado e, sem dúvida, de uma actuação admirável e invejável.

Tenho-o observado há bastante tempo. Começou a chamar-me a atenção no período em que esteve na Renamo e no Parlamento, na sua candidatura à edilidade do Município de Maputo, nas suas intervenções colossais no Parlamento e nas lutas pelas causas sociais.

Lembro-me de quando interveio para impedir que um campo fosse vendido de forma obscura. Lembro-me também de quando esteve, praticamente sozinho entre os políticos, na Baixa da cidade de Maputo, no dia em que o Município retirava os vendedores das ruas.

Sem dúvida, o homem sabe retirar o maior proveito das brechas do Governo do dia.

No seu tempo, Venâncio Mondlane está, para mim, na lista de políticos como Afonso Dhlakama, David Simango, Mahamudo Amurane, Manuel de Araújo, Albano Carige, João Ferreira, Pio Matos e Eduardo Abdula.

No meio de tudo isto, Venâncio destaca-se pela sua retórica de escola jónica — a mesma que encontramos na tradição dos filósofos sofistas —, pela capacidade comunicativa e pela importância que dá, assim como pelo investimento que faz, nesse poder de comunicação.

E aqui é preciso perceber uma coisa: poder comunicativo também inclui o uso estratégico e assertivo da imprensa.

É aqui onde está o ponto.

Não sei se, meu caro leitor, você já observou. Para além das suas lives metodicamente planeadas, o seu próprio visual parece estratégico.

Venâncio Mondlane tem um andar cinematográfico.

Um andar de Denzel Washington.

Se é natural ou artificial, pouco importa. O facto é que é um andar cada vez mais aperfeiçoado. E, suspeito eu, já está incluído na lista das armas que Venâncio Mondlane utiliza como animal político.

“Animal” no sentido guerreiro da palavra.

Porque, na política, há quem fale. Há quem apareça. Há quem comunique.

E há quem transforme a própria presença numa mensagem.

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