
A Linha de Financiamento a Empreendimentos Rurais (LFER) entra em funcionamento com 726 milhões de meticais para financiar actividades produtivas no meio rural. O valor é importante, mas o verdadeiro teste começa agora: transformar dinheiro disponível em produção, negócios, emprego e rendimento.
Apresentada esta quinta-feira, 3 de Setembro, em Nampula, pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, a LFER pretende combinar crédito, subvenções e assistência técnica para apoiar produtores, empreendedores e empresas.
A proposta é relevante porque responde a um problema conhecido: existe procura por financiamento, mas o dinheiro disponível continua muito abaixo das necessidades dos empreendedores.
Os números apresentados pelo Governo mostram isso com clareza. Só em Nampula foram submetidos 57.436 projectos, com necessidades de financiamento estimadas em 8,67 mil milhões de meticais, contra apenas 143,175 milhões disponíveis.
É aqui que a LFER precisa de ser mais do que uma boa ideia.
O que os empreendedores precisam agora são menos palavras e mais acções: financiamento que chegue ao distrito, processos simples, custos suportáveis, decisões céleres e acompanhamento dos projectos depois do desembolso.
A combinação entre crédito, subvenções e assistência técnica pode ser uma vantagem. Mas será necessário garantir que estes mecanismos não criem novas camadas burocráticas que afastem precisamente os pequenos produtores e empresários que a Linha pretende alcançar.
Há também uma questão essencial: quem terá acesso ao dinheiro?
Se a LFER pretende dinamizar a economia rural, os critérios de acesso devem ser claros e compreensíveis, e os produtos financeiros devem adaptar-se à realidade dos distritos. Um bom projecto que não consegue ultrapassar barreiras administrativas, financeiras ou territoriais continuará sem produzir.
Outro ponto decisivo será o acompanhamento. Financiar é apenas o primeiro passo. É preciso saber se o negócio funciona, se cria emprego, se aumenta a produção e se consegue devolver o financiamento.
O carácter rotativo da LFER torna o reembolso particularmente importante. O dinheiro recuperado deverá voltar a circular e financiar outros empreendedores. Por isso, cada metical mal aplicado ou não recuperado representa uma oportunidade perdida para outro beneficiário.
A LFER nasce, portanto, com uma oportunidade e um desafio. A oportunidade é colocar recursos públicos ao serviço da economia rural. O desafio é provar, no terreno, que esses recursos conseguem chegar a quem produz e gerar resultados concretos.
O Governo já definiu uma ambição: transformar o potencial económico dos territórios em produção, emprego e rendimento. Agora, mais do que novos discursos, será preciso acompanhar resultados.
Quantos projectos serão financiados? Quantos chegarão efectivamente aos distritos? Quantos empregos serão criados? Quantos negócios sobreviverão? Quanto dinheiro será recuperado? E quantos novos empreendedores poderão beneficiar dos mesmos recursos no ciclo seguinte?
É por essas respostas que a LFER deverá ser julgada.
No desenvolvimento rural, a diferença entre uma política pública anunciada e uma política pública bem-sucedida está no que acontece depois do anúncio: dinheiro que chega, negócios que funcionam, empregos que permanecem e famílias que melhoram os seus rendimentos.