Por Chaúque Artur Augusto
Sociólogo/Antropólogo, consultor em assistência social e pesquisador social.
Embora se considere a relação entre irmãos a mais duradoura, a relação entre pais e filhos não é menos importante. Os pais são o elo de ligação entre o filho e a comunidade ou sociedade através da transmissão de valores morais, hábitos, costumes e a própria cultura que esta sociedade adapta como modo de vida, é nesta vertente que para Durkheim, engana-se o pai que pensa estar a educar o filho segundo os seus princípios, ele educa em função da sociedade em que esta inserido, porque para este, a sociedade faz o individuo.
O papel dos pais na vida dos filhos, não tem data de validade, independentemente da idade, condições financeiras, grau académica e status social, havendo necessidade, os pais ainda tem a obrigação de orientar, direcionar e encaminha-lo para as boas praticas, que irão culminar, com desenvolvimento pessoal do individuo e posteriormente da sociedade.
O que temos assistido, em algumas vezes, é a marginalização dos pais pelos filhos, sob algumas alegacões que muitas vezes deixam os pais em posição de incapacidade, uma das alegacões tem a ver com a modernização, que por vezes deixa os pais na posição de (ultrapassado), o que não constitui verdade, visto que, o tempo e idade, não são aspectos relevantes na avaliação psicossocial do desempenho do papel de pai. Agora, havendo comprovativo de incapacidade mental da parte dos pais, é percetível que este individuo não busque esse auxílio aos pais.
É importante salientar, que esta relação ou aproximação entre pais e filhos, é construída desde os primeiros anos de vida deste filho, só assim, ele verá na figura paterna ou materna, alguém que ele confie e automaticamente encontre um suporte, para qualquer situação da vida.
Quando a relação é saudável, o filho não encontra barreiras para aproximar aos pais, para se expressar independentemente da leveza ou gravidade do assunto, isso não significa ser dependente da opinião dos pais, mas sim, mostra a importância e apresso que o filho tem para com os pais, considerando a experiência de vida destes, embora possa ser discutível em função do assunto em causa.
Com tudo, não estamos aqui a dizer que os pais tem obrigação de estar a par de tudo na vida dos filhos, muito menos estamos a dizer que os filhos devem partilhar tudo com os pais, mas havendo necessidade, de ter uma opinião ou conselho, os pais podem o fazer, este foi e sempre será o papel dos pais na vida dos filhos, não importa a idade, eles podem orientar de forma qualitativa e satisfatória.
Queria apelar neste artigo, o cuidado que devemos ter ao pedir um conselho, a opinião ou conselho, pode ser qualitativo ou não, mas também, deve-se ter atenção na fonte, termos em mente um pouco da sua idoneidade e que tenhamos uma certa consideração ou admiração por ela. Qualquer um pode opinar e aconselhar, resta saber como você irá acatar ou receber este conselho, porque a finalidade é de tornar melhor ou melhorar o indivíduo ou uma certa situação.