Morreu o Cardeal D. Júlio Duarte Langa, figura histórica da Igreja Católica em Moçambique

Moçambique perdeu, na madrugada desta segunda-feira, uma das mais emblemáticas figuras da Igreja Católica. O Cardeal D. Júlio Duarte Langa morreu aos 98 anos, vítima de doença, encerrando uma vida de quase sete décadas dedicadas ao sacerdócio e ao serviço pastoral.

Segundo informação divulgada pela Igreja Católica, D. Júlio Langa faleceu durante a madrugada, deixando um legado marcado pela promoção da paz, da reconciliação nacional e pela proximidade às comunidades mais vulneráveis, sobretudo durante os anos da guerra civil.

Natural de Mangunze, na província de Gaza, onde nasceu a 27 de Outubro de 1927, foi ordenado sacerdote em 1957 e, em 1976, tornou-se Bispo de Xai-Xai, diocese que liderou durante cerca de 28 anos. Em Fevereiro de 2015, foi elevado ao cardinalato pelo Papa Francisco, tornando-se o segundo cardeal da história de Moçambique, depois de D. Alexandre José Maria dos Santos.

A nomeação para cardeal foi interpretada, na altura, como um reconhecimento da Santa Sé pelo seu percurso pastoral e pela contribuição da Igreja moçambicana para a construção da paz, numa fase em que o país procurava consolidar a reconciliação após anos de conflito armado.

Durante o seu ministério, D. Júlio Duarte Langa destacou-se também pela valorização das línguas nacionais na evangelização, tendo participado na tradução de textos do Concílio Vaticano II para idiomas moçambicanos, iniciativa que aproximou a liturgia das comunidades locais.

Reservado, discreto e avesso ao protagonismo público, o cardeal era reconhecido pelo seu estilo pastoral simples e pela atenção às populações mais pobres, características que lhe valeram respeito dentro e fora da Igreja Católica.

Com a sua morte, Moçambique perde uma das últimas grandes referências da geração de líderes religiosos que acompanharam a independência do país, atravessaram o período da guerra civil e contribuíram para os processos de pacificação e reconstrução nacional.

A Igreja Católica deverá anunciar nas próximas horas o programa das cerimónias fúnebres e as homenagens oficiais que serão prestadas ao cardeal, cuja trajetória permanece entre as mais relevantes da história religiosa contemporânea de Moçambique.

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