Mais de metade da população afectada pelas cheias

Machanga sitiada enquanto o distrito de Sofala luta contra o isolamento

Cerca de 39.961 pessoas — mais de metade da população — estão cercadas pelas águas do Rio Save, com acessos cortados há uma semana  e infra-estruturas submersas.

Há uma semana que o distrito de Machanga deixou de ser apenas um ponto no mapa de Sofala para se transformar numa ilha cercada por águas violentas. O transbordo do Rio Save isolou completamente a vila-sede, cortando ligações rodoviárias e deixando milhares de pessoas encurraladas entre o medo e a incerteza.

Os números dão dimensão à tragédia, mas não a explicam por completo: 39.961 pessoas, organizadas em 7.571 famílias, estão afectadas — o equivalente a 58% da população do distrito. Casas desapareceram sob a água, escolas e serviços públicos ficaram inoperacionais, e o quotidiano foi substituído por uma luta constante pela sobrevivência.

Em muitos pontos, a corrente mantém-se forte e imprevisível, transformando qualquer tentativa de travessia num risco de vida. É neste cenário que equipas de resgate tentam chegar a comunidades isoladas, enquanto outras permanecem inacessíveis.

Durante uma visita ao terreno, o Secretário de Estado na província, Manuel Rodrigues Alberto, reconheceu a gravidade da situação e deixou um alerta directo às populações.

“A situação em Machanga ainda é preocupante. A corrente da água está muito forte e pode ser fatal. Vamos sensibilizar os nossos concidadãos a saírem das zonas de risco”, afirmou.

Apesar dos apelos, há famílias que resistem a abandonar as suas casas, mesmo quando a água já lhes bate à porta — ou já entrou. As autoridades admitem avançar com retiradas compulsivas, numa tentativa de evitar perdas humanas num cenário que pode agravar-se a qualquer momento.

Nas últimas 48 horas, a chuva abrandou, registando-se níveis fracos a moderados na ordem dos 15,5 milímetros. Ainda assim, o alívio é apenas aparente: o volume acumulado mantém o distrito submerso e o isolamento intacto.

Em Machanga, o tempo parece suspenso — e cada hora que passa sem acesso, sem escoamento das águas e sem assistência suficiente, aprofunda uma crise que já ultrapassou o campo ambiental e ameaça transformar-se numa emergência humanitária de larga escala.

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