Jornalismo ao pormenor

VM7 divorcia-se do PODEMOS

“Quando não são mais os valores nobres a dissecar as relações entre eu e meus companheiros, promovo sempre a minha retirada.”

O ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane anunciou hoje, 04 de Janeiro, o “fim da relação com partido PODEMOS” (Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique) que suportou a sua candidaturas nas últimas eleições de 09 de Outubro passado. 

Num comunicado assinado por Dinís Tivane e publicado na página oficial de Venâncio Mondlane na rede social facebook, o ex-candidato acusa o partido PODEMOS de má-fé e falsificação do acordo.

“Agindo de má-fé e posto a circular um acordo, manifestamente, falsificado, onde a marca dominante é agraciar o nosso movimento com uma percentagem de 5%, o partido PODEMOS recusou-se a cumprir o Acordo Coligatário assinado a 21 de Agosto de 2024,” lê-se no comunicado, onde o VM7 refere ter promovido diálogos junto da direcção máxima daquela força política para explicar as profundas reivindicações do povo, mas “o partido PODEMOS mostrou-se insensível e inflexível.”

Os primeiros sinais de que a relação entre VM7 e o PODEMOS já estava tremida surgiram ao público em princípio de Janeiro, quando o partido liderado por Albino Forquilha anunciou a intenção de tomar de posse na Assembleia da República, contrariando a estratégia de VM7. Na altura, com o ex-candidato presidencial ainda em parte incerta, Dinis Tivane, assessor de Venâncio Mondlane, acusou publicamente o PODEMOS de traição.

Volvidos cerca de um mês, eis que o “divórcio” é anunciado através de um comunicado. “Quando não são mais os valores nobres a dissecar as relações entre eu e meus companheiros, promovo sempre a minha retirada.”, lê-se no texto que acompanha  comunicado assinado por Dinís Tivane.

Para VM7 e seus apoiantes, o partido PODEMOS ao tomar posse na Assembleia da República fê-lo contra a vontade do povo. “Urge clarificar que a nossa luta política é, fundamentalmente, pela salvação de Moçambique, não estando em causa o alcance obsessivo de bens materiais ou qualquer vantagem finaceira com base no martírio do povo.”

No comunicado, Mondlane acusa o partido PODEMOS de estar a distanciar-se das reivindicações legítimas do povo. Acusa ainda o PODEMOS nada fazer em prol das pessoas que são assassinadas, presas ou perseguida por apoiarem “a causa do povo”.

“Há muita gente que levamos a essa causa, que morreu, que está injustamente presa, que perdeu emprego e património, que ficou sem meios de sobrevivência, que vive fugindo para parte incerta, que está ferida com sequelas vitalícias, sem se esquecer dos inúmeros sacrifícios consentidos por milhares de anónimos espalhados pelo país e na diáspora. Para todos estes que mencionamos, continuaremos a lutar para que a justiça seja feita e, inspirados pela célebre frase do advogado do povo Elvino Dias, pela verdade iremos até ao fim”, refere o documento.

Para VM7, o PODEMOS avançou para o diálogo político que visa pacificar o país, sem no entanto apresentar uma agenda concreta ou propor termos de referência.

“Sem apresentar uma agenda concreta ou propor termos de referência, o partido PODEMOS embalou-se para um “suposto” diálogo onde até aqui se desconhece a quem vai beneficiar, ou será como sempre, as elites políticas a distribuírem, entre si, mordomias, benesses e privilégios infindáveis. Dito de forma simples: está em marcha a velha tática de acomodação sob a máscara de inclusão”.

Nesse fim de relação com o PODEMOS, VM7 renuncia a todos os direitos e prerrogativas a favor do partido PODEMOS.

 

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