Jornalismo ao pormenor

Um (não) aperto de mãos e outras coisas 

Texto : João Matusse

Notinha prévia: Contém ironia. 

É tudo.

Portugal tem um novo Presidente da República. António José Seguro. Não fosse ele, seria André Ventura e toda a sua política de saudade da Europa-sobre-todos. A democracia ainda serve, pelo menos, para escolher o menor dos males. Por razões de história e de língua e da imigração possível, o que acontece em Portugal também nos diz respeito. Daniel Chapo foi testemunhar a investidura de Seguro. Se é verdade que Chapo parece ter mais gosto d’estar em qualquer país que não seja o que impôs a sua governação; não é menos verdade que a sua presença nesta tomada de posse é um grande gesto de carácter. É como se dissesse a Portugal que não guarda ressentimentos do isolamento a que foi votado, com a grande sombra de Venâncio Mondlane e as manifestações animadas pela sua voz. Na guerra de comunicação que tem lugar nesta terra de ninguém a que chamamos internet, circularam imagens  a fazer pensar que Daniel Chapo foi ignorado por um Seguro que, ao que parece, tem mais simpatias por Angola. Mas a comunicação da presidência (foi para isso criado o Gabinete Comunicação Institucional?), apressou-se em mostrar Seguro a apertar a mão de Chapo, quase equivalidos a Mário Soares e Samora Machel.

Coloquemos os acontecimentos em perspectiva. Seguro vs Ventura é a versão portuguesa de Chapo vs Mondlane. Há muito que a política é sobre ser amigo de quem é inimigo do amigo do nosso inimigo. Já havia sido avançada a notícia dos 500 milhões de euros disponíveis para as empresas portuguesas investirem em Moçambique. E Chapo voltou ao mesmo tema, como se estivéssemos ainda mais próximos da nova era há mais de um ano anunciada.  Mas nada se diz sobre as percentagens (5%?) que cabem ao novo poder político e suas testas-de-ferro.

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