
A Presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, traçou um retrato sombrio da realidade moçambicana, marcada pelo aumento da criminalidade, corrupção e feminicídios, fenómenos que, segundo disse, “dilaceram famílias e abalam a nossa consciência colectiva”. Falando esta quarta-feira, 22 de Outubro, na abertura da II Sessão Ordinária da X Legislatura, Talapa afirmou que a criminalidade constitui “um dos maiores desafios à estabilidade e ao bem-estar social” no País.
“Entre os fenómenos mais preocupantes destaca-se a ocorrência de raptos, o feminicídio, a corrupção e os acidentes de viação”, sublinhou a Presidente do Parlamento, acrescentando que os raptos, para além de violarem gravemente direitos fundamentais, “geram um clima generalizado de medo e insegurança”.
Talapa defendeu um compromisso nacional para travar a criminalidade organizada, com aposta no reforço institucional e na responsabilização efectiva dos envolvidos nestes “crimes hediondos”.
Sobre o feminicídio, considerou-o “a expressão mais extrema da violência baseada no género e uma violação flagrante da Constituição e dos valores fundamentais da sociedade moçambicana”.
“A Assembleia da República, enquanto Casa do Povo e guardiã dos direitos humanos, reafirma o seu compromisso na luta contra este flagelo, através da promoção de leis mais eficazes e políticas públicas que reforcem a protecção das mulheres”, afirmou.
No combate à corrupção, Talapa foi igualmente enfática, reconhecendo que o fenómeno tem “corroído não apenas os recursos públicos, mas, sobretudo, a confiança dos cidadãos nas instituições do Estado”.
“Enfrentar esta realidade com firmeza, coragem e transparência não é apenas um dever moral, mas uma exigência patriótica e constitucional”, declarou, apelando a que os resultados da Conferência Nacional sobre o Combate à Corrupção (realizada de 13 a 14 de Outubro, em Maputo) sejam transformados em “compromissos práticos, mensuráveis e sustentáveis”.
Quanto aos acidentes de viação, a Presidente do Parlamento exortou os automobilistas à prudência e respeito pelas regras de trânsito, pedindo também o reforço da fiscalização e educação rodoviária por parte das autoridades.
Com um discurso que mesclou alerta e apelo, Margarida Talapa procurou, assim, posicionar o Parlamento como voz moral e força de coesão diante de um País que enfrenta múltiplas ameaças à sua estabilidade social e ética.