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Problema de divisas: mercado negro supera Banco de Moçambique

O partido Nova Democracia (ND), liderado por Salomão Muchanga, alertou esta segunda-feira (15) que o mercado paralelo de divisas em Moçambique já ultrapassou em influência o Banco de Moçambique e os bancos comerciais, colocando em causa a estabilidade económica do país.

Num comunicado de imprensa (Nº 18), a ND afirma que a “candonga” (mercado negro) conquistou um vasto espaço de negociação de divisas, em detrimento das instituições oficiais, deixando empresas e cidadãos reféns de preços especulativos.

Segundo o documento, a crise cambial tem origem em esquemas ilegais que envolvem exportações, gestão bancária, administração alfandegária e operações policiais, alegadamente dominados por uma elite política empresarial. “Os mentores da crise são as excelências do governo que abusam do poder para esvaziar os bancos e lotar a candonga com divisas a preços fabricados”, acusa o partido.

A ND destaca ainda que empresas sem apadrinhamento político enfrentam sérias dificuldades para aceder a divisas, o que compromete a importação de bens, o pagamento a fornecedores e a manutenção de salários. Este cenário, segundo o partido, aumenta o desemprego e ameaça o funcionamento de várias instituições.

A crise também tem impacto direto no dia a dia da população, já que comerciantes são obrigados a recorrer ao mercado negro para obter divisas, elevando os preços de produtos de primeira necessidade. Os combustíveis, considerados motores essenciais da economia, registam aumentos constantes, agravando o custo de vida das famílias, sobretudo das camadas mais vulneráveis.

> “A moeda estrangeira que resulta das exportações beneficia bolsos privados da elite política, enquanto o sistema financeiro nacional fica enfraquecido”, sublinha o comunicado.

Como solução, a Nova Democracia defende a implementação de reformas institucionais profundas, que incluam: transparência na gestão bancária, auditorias independentes, controlo rigoroso da candonga, fiscalização das exportações e operações aeroportuárias, responsabilização da elite política acusada de enriquecer à custa da crise.

O partido conclui que, sem estas medidas, o país continuará a assistir à desvalorização contínua do metical frente ao dólar, euro e rand, travando o desenvolvimento económico e “adormecendo a esperança dos moçambicanos”.

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