
Morreu antiga Primeira Ministra, Luísa Diogo, vítima de doença
A antiga Primeira‑Ministra de Moçambique, Luísa Diogo, faleceu hoje em Portugal, vítima de doença. Economista de carreira, Diogo marcou a história do país ao tornar-se na primeira mulher a dirigir o Governo, acumulando, provisoriamente, o cargo com o de Ministra do Plano e Finanças entre 1999 e 2005.
Nascida em Magoe, província de Tete, a 11 de Abril de 1958, Luísa Diogo destacou-se cedo no sector económico e institucional. Entre 1993 e 1994, foi Oficial de Programas do Banco Mundial em Moçambique, participando em negociações com organismos internacionais e colaborando na avaliação de projectos de investimento em sectores-chave. Após o sufrágio multipartidário de 1994, tomou posse como Vice‑Ministra das Finanças e Planeamento, poucos dias após dar à luz a sua terceira filha, Laura, tornando-se a única mulher no Governo daquela época.
Ao longo dos anos, Luísa Diogo acompanhou e liderou a implementação de reformas estruturais e políticas económicas cruciais para a reconstrução e modernização do país. Foi Ministra das Finanças no segundo mandato do Presidente Joaquim Chissano e, em Fevereiro de 2004, foi indicada para o cargo de Primeira-Ministra da República, tornando-se a primeira mulher a dirigir o Executivo moçambicano. Foi reconduzida no cargo pelo Presidente Armando Guebuza, exercendo funções até 16 de Janeiro de 2010.
Após o seu percurso no aparelho estatal, Diogo continuou activa no sector privado e na vida pública. Em 2012, foi nomeada Presidente do Conselho de Administração do Barclays Moçambique, liderando processos de reposicionamento competitivo da instituição. No ano seguinte, publicou o livro A Sopa da Madrugada, onde narra as suas experiências de governação entre 1994 e 2009.
Luísa Diogo também se destacou no panorama partidário. Em 2014, tornou-se a primeira mulher a chegar tão perto da liderança do país, sendo derrotada na segunda volta das eleições internas do seu partido pelo actual Presidente Filipe Nyusi. Fora da esfera política, era mãe de quatro filhos — Nelson, Nuno, Laura e Luísa (adoptada) — e conhecida por gestos pessoais que humanizavam a sua imagem pública.
A sua morte representa a perda de uma das figuras mais influentes da história recente de Moçambique, tanto pela sua participação na governação e nas reformas económicas, quanto pelo exemplo de presença e liderança feminina em altos cargos de decisão.