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Morreu Ali Hassan, uma das figuras marcantes do futebol moçambicano

O desporto moçambicano está de luto na sequência da morte, ontem, no Hospital Central de Maputo, do antigo futebolista internacional Ali Hassan, vítima de complicações decorrentes de doença oncológica. Com a sua morte, o País perde uma das figuras mais emblemáticas da sua geração, cujo percurso marcou tanto o futebol nacional como a presença moçambicana nos palcos internacionais.

Nascido na Mafalala e criado no Infulene, Ali Hassan iniciou o seu percurso futebolístico na Texlom, em 1977, antes de se transferir, em 1981, para o Desportivo de Maputo, clube no qual se integrou numa geração que marcou uma época no futebol nacional. Nos “alvi-negros”, juntou-se a jogadores como Estêvão, Calton, Chababe, Cabral, Sitoe, Abâmia, Jamal e Faustino, conquistando o seu primeiro título de campeão nacional em 1983.

Em 1988, após vencer o segundo campeonato pelo Desportivo de Maputo, numa época em que apontou 10 golos e foi eleito Jogador Mais Valioso (MVP) do Moçambola, Ali Hassan transferiu-se para Portugal. Embora tenha realizado treinos no Benfica, acabaria por assinar contrato com o Sporting Clube de Portugal, numa transferência que ficou marcada por contornos pouco comuns.

No clube de Alvalade, orientado por Manuel José, partilhou balneário com nomes como Luís Figo, Oceano, Peixe e Silas, vivendo uma etapa relevante da sua carreira europeia. Seguiram-se passagens por outros emblemas portugueses, entre os quais Vitória de Setúbal, Estoril, Amora, Académico de Viseu e Torres Novas, onde encerrou a sua carreira no futebol europeu.

Em 1996, regressou ao país para representar a selecção nacional no Campeonato Africano das Nações, disputado na África do Sul. Posteriormente, foi convidado por Martinho de Almeida a integrar o Maxaquene, clube pelo qual conquistou a Taça de Moçambique em 1998, ano em que anunciou a retirada definitiva dos relvados.

Ali Hassan ficou também ligado a um episódio singular da história do futebol moçambicano, ao tornar-se o único jogador nacional a defrontar Diego Armando Maradona em competições europeias. O feito ocorreu em 1989, quando representava o Sporting, nos dois jogos frente ao Nápoles, a contar para a Taça UEFA, eliminatória decidida nas grandes penalidades após dois empates sem golos.

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