
Na manhã desta quinta-feira, Moçambique recebeu com pesar a notícia do falecimento, em Portugal, de Amade Camal, um dos mais notáveis empresários nacionais e uma das vozes mais críticas e lúcidas sobre o estado da economia e da indústria moçambicanas. A sua partida deixa um vazio num País que ainda luta para reencontrar o caminho da industrialização perdida.
Lupa News prepara uma matéria especial em sobre o empresário. Para já veja a Linha do Tempo de Amade Chemane Camal Júnior (1954–2025):
1954 – Nasce em Moçambique.
Décadas de 1970–1980 – Inicia a sua carreira empresarial, num período de grandes transformações políticas e económicas do País.
1990 – Consolida o Grupo SIR Motors, expandindo negócios ligados a venda e aluguer de automóveis, logística e assistência técnica.
2000s – Torna-se uma figura de destaque no sector privado e em debates sobre economia, sendo convidado para comentar em televisão e conferências nacionais.
2015 – Lança o projeto METROBUS, sistema de transporte intermodal que combina automotoras e autocarros para melhorar a mobilidade urbana em Maputo, Matola e arredores.
2018–2022 – Intensifica as suas críticas públicas ao declínio da indústria nacional, denunciando entraves alfandegários e a falta de vontade política para reindustrializar Moçambique.
2024 – No Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, profere uma das suas frases mais marcantes: “Conteúdo local é uma treta”, denunciando políticas públicas ineficazes e um sector industrial em ruínas.
2025 – Defende a introdução de carros elétricos em Moçambique, apresentando planos de parcerias para instalar carregadores em Maputo, Gaza e Inhambane.
18 de setembro de 2025 – Morre em Portugal, vítima de um acidente cardiovascular, aos 71 anos.