Jornalismo ao pormenor

Modelo intra-estatal da LAM ameaça transparência e pode abrir novo ciclo de má gestão

A venda da Linhas Aéreas de Moçambique a empresas públicas pode reduzir o controlo do Estado sobre os fluxos financeiros e abrir espaço para decisões menos transparentes na gestão de recursos públicos.

Para o Centro de Integridade Pública, a solução intra-estatal pode enfraquecer a governação corporativa e perpetuar problemas históricos de corrupção e ineficiência.

Actualmente, as empresas do SEE contribuem para o Orçamento do Estado com impostos e dividendos. O Governo, por sua vez, decide como redistribuir esses recursos, incluindo resgates a empresas em crise.

Este modelo garante algum nível de controlo público e transparência.

Com a venda da LAM, esse sistema pode ser substituído por transferências directas entre empresas públicas, reduzindo o escrutínio institucional.

A LAM carrega um histórico de: má gestão financeira; denúncias de corrupção; desvio de fundos; operações irregulares.

Relatórios recentes indicam que a empresa continua a necessitar de financiamento urgente para manter operações, mesmo após intervenções externas.

Risco de contágio institucional

Ao integrar a LAM noutras empresas do SEE, existe o risco de: disseminação de práticas ineficientes; aumento da exposição financeira de empresas saudáveis; redução da disciplina de gestão.

Interferência política como factor estrutural

Sem reformas profundas, a LAM continuará vulnerável à interferência política – um dos principais factores de fragilidade das empresas públicas no país.

Alternativa: parceiro estratégico privado

O CIP defende uma solução baseada numa parceria público-privada com investidor estratégico, capaz de: introduzir disciplina de mercado; reforçar a governação corporativa; garantir financiamento e tecnologia; reduzir a pressão sobre o Estado.

A decisão sobre a LAM é mais do que uma operação empresarial – é um teste ao modelo de gestão do Sector Empresarial do Estado.

Sem transparência, responsabilização e reformas estruturais, o país corre o risco de entrar num ciclo de ineficiência, opacidade e fragilidade fiscal.

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