Jornalismo ao pormenor

Moçambique fora da lista cinzenta, Luís Cezerilo tinha razão quando deu o peito às balas ao defender: “Governo fez um excelente trabalho”

 Este é um passo decisivo para reforçar confiança dos investidores e do sistema financeiro

Moçambique foi oficialmente removido da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), depois de dois anos sob vigilância reforçada por deficiências no combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. O anúncio foi feito a 24 de Outubro de 2025, durante a reunião plenária do organismo, realizada em Paris.

 Vamos aos factos: O País foi colocado na lista na lista “lista cinzenta” do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) por terem sido encontrados lacunas no combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento de terrorismo. É um problema para a imagem de Moçambique e cria dificuldades no acesso a financiamento. Desde lá o GAFI fez dezenas de recomendações e o País assegurava estar no bom caminho para as cumprir, de acordo com um relatórios publicados pelo Governo.

“Moçambique continua a demonstrar o forte compromisso em dedicar recursos e priorizar ações necessárias para completar o seu plano de ação”, avançara, Luís Cezerilo tendo explicado que o País adoptara medidas para melhorar a cooperação e coordenação entre as autoridades relevantes para implementar as estratégias e políticas contra o branqueamento de capitais e financiamento de terrorismo, baseado no risco.

Um documento do Centro de Integridade Pública (CIP) já havia avançado que má Classificação no Basel Anti-Money Laundering Index (Basel AML Index) sinalizava o quão seria difícil Moçambique sair da lista cinzenta do GAFI em 2024. E de facto, em 2024 o País não saiu da lista cinzenta.

O documento do CIP avançava que análise demonstrava que existe uma tendência de incumprimento das recomendações do GAFI por parte do País.  “Saída do País da lista cinzenta tem um forte condão de não acontecer em 2024 se, de facto, não existir um maior cometimento do Governo e assertividade para o País se conformar com as exigências do GAFI, implementando, na prática, todas as medidas cabíveis para o efeito.”

Documento avançava que de País avaliado como o mais vulnerável ao branqueamento de capitais em 2019, nos anos seguintes até 2023, embora a classificação do País tenha melhorado no índice de forma tímida, em 2022 voltou a existir uma queda abrupta na sua classificação.

“O índice analisado mostra que a integração de Moçambique na lista cinzenta não foi ao acaso, e sim, resultado da falta de comprometimento do Governo no combate ao branqueamento de capitais financiamento  do terrorismo com recurso a medidas concretas.”

 

“Governo fez um excelente trabalho”, considerou Luís Cezerilo

Anteriormente, antes da boa nova, quando estava na lista cinzenta, de três em três meses Moçambique era  obrigado a apresentar o relatório do seu progresso para sair da “lista cinzenta” do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI).

Nesse passado recente, em conversa, telefónica , enquanto aguardava o documento do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) de avaliação do  6° relatório, correspondente aos últimos três meses, o Coordenador Nacional do Comité Executivo para a Remoção de Moçambique da “Lista Cinzenta”, Luís Cezerilo avançara que Moçambique tinha 26 acções para cumprir em dois anos, até ao sexto relatório. “Das 26 acções o País cumprira largamente 20 acções. Isto significava que o sistema de prevenção e combate ao branqueamento de capitais naqueles 20 requisitos o sistema Moçambicano já está bom, já está funcional, já está regular. Foram supridas as deficiências que havia.”

Falando especificamente do documento de avaliação do  6° relatório Luís Cezerilo sublinhou que não faz parte de sua filosofia de trabalho falar de expectativas mas assegurava que o Governo tinha feito um bom trabalho. “O Comité Executivo de Coordenação exigiu por parte de todos os sectores envolvidos incluindo aplicadores da Lei,  supervisores, instituições não financeiras e o que posso assegurar como Coordenador Nacional é que estas instituições a partir dos seus dirigentes, das suas equipas técnicas fizeram um excelente trabalho.”

A saída da lista negra  é um passo decisivo que reforçar confiança dos investidores

A boa nova do dia 24 de Outubro, a  saída da de Moçambique da lista cinzenta, representa um marco importante para o País, sinalizando progressos significativos nas reformas institucionais e no reforço da supervisão financeira. Desde que foi incluído na lista em 2022, Moçambique implementou várias medidas para melhorar o controlo das transações financeiras, aumentar a transparência nas instituições bancárias e fortalecer os mecanismos de prevenção de crimes económicos.

Segundo o GAFI, o país demonstrou “compromisso político de alto nível” e evidências de cumprimento substancial do plano de acção acordado, o que levou à decisão de sua remoção.

A retirada da lista cinzenta é vista como um sinal de confiança para os investidores e parceiros internacionais. Estar na lista era um factor de risco para o País, encarecendo operações bancárias, atrasando transferências internacionais e dificultando o acesso ao financiamento externo.

Com esta decisão, Moçambique reforça a sua credibilidade junto das instituições financeiras globais, abrindo espaço para maior fluxo de investimento estrangeiro e melhoria da classificação de risco. O sector bancário nacional também deverá beneficiar, com menor escrutínio nas transacções internacionais e redução dos custos de conformidade.

Economistas e analistas consideram que esta conquista coloca Moçambique numa posição mais competitiva na região da SADC, ao lado de países que têm procurado fortalecer a integridade dos seus sistemas financeiros, como a África do Sul e a Nigéria – que também saíram recentemente da lista cinzenta.

Apesar dos avanços, o GAFI sublinha que Moçambique deve manter o compromisso com a transparência e a boa governação, consolidando os mecanismos de supervisão financeira e cooperação internacional.

O governo moçambicano, através do Ministério da Economia e Finanças e do Banco de Moçambique, reiterou que continuará a trabalhar para garantir que o País nunca mais volte a entrar na lista, promovendo um ambiente financeiro “sólido, transparente e atractivo para o investimento”.

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