
Na abertura da 20ª Conferência Anual do Sector Privado (CASP), realizada nesta quarta-feira, em Maputo, o Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, lançou um apelo vigoroso ao Governo: “Moçambique precisa, mais do que nunca, de coragem – coragem para reformar, competir e crescer.”
O evento, que contou com a presença do Chefe de Estado, Daniel Chapo, reuniu centenas de empresários, diplomatas e parceiros de desenvolvimento sob o lema “Reformar para Competir: Caminhando para o Relançamento Económico.”
Massingue descreveu a conferência como um “momento histórico” para redefinir a relação entre o Estado e o sector privado, enfatizando que o país vive “um ponto de viragem” onde as reformas são uma exigência nacional.
“O problema não é falta de recursos – é falta de reformas estruturais que convertam potencial em prosperidade. O que nos falta não é saber o que fazer – é decidir fazê-lo”, afirmou o líder empresarial.
Entre as principais áreas de reforma destacadas estiveram a fiscalidade, a administração pública, o Estado de Direito e o ambiente de negócios. Massingue defendeu uma reforma fiscal “inteligente, previsível e justa”, apontando o IVA e o IRPC como entraves críticos à competitividade.
Também criticou a morosidade na devolução do IVA e os atrasos do Estado no pagamento a fornecedores, práticas que, segundo ele, “sufocam o sector produtivo e financiam o Estado à custa das empresas”.
Na componente económica, o Presidente da CTA chamou atenção para a necessidade de revitalizar a agricultura, modernizar a logística e aproveitar melhor o oceano Índico como via estratégica de integração regional.
“Produzir para alimentar, processar para gerar valor e exportar para trazer divisas – este é o modelo que pode transformar a economia moçambicana”, sublinhou.
A 20ª CASP inclui ainda a Expo CASP 2025, uma mostra de negócios e inovação onde empresas nacionais e estrangeiras apresentam produtos, serviços e tecnologias que simbolizam o dinamismo do sector privado moçambicano.
Ao encerrar, Massingue deixou uma mensagem clara: “O sector privado está pronto para investir, produzir e empregar. O milagre económico moçambicano é possível – basta que a coragem vença o medo.”