Jornalismo ao pormenor

Dez  anos sem respostas sobre o caso Gilles Cistac

Numa manhã como esta, há dez anos, 03 de Março de 2015, o constitucionalista Gilles Cistac foi baleado na cidade de Maputo quando saía da pastelaria ABC no Eduardo Mondlane, e morreu no Hospital Central de Maputo, um dos mais proeminentes constitucionalistas e analistas da política moçambicana.

Cistac foi baleado por quatro indivíduos que se faziam transportar numa viatura que passou pelo café. Segundo o director clínico, João Fumana, citado pela imprensa local, “as balas apanharam o tórax e a parede abdominal” do académico que viria a morrer durante a intervenção cirúrgica de que foi algo.

Cistac, que falou várias vezes com a VOA, era um dos mais proeminentes constitucionalistas e analistas da política moçambicana.

Segundo o Canalmoz, citado pela DW, o constitucionalista vinha recebendo ameaças de pessoas que se diziam do partido Frelimo e que o acusavam de ser assessor jurídico da Renamo.

Do grupo de autores do crime, “três eram negros e um era branco e foi este último que efetuou os disparos”, avançara Orlando Modumane, porta-voz da PRM, em conferência imprensa em Maputo.

EUA pedem investigação exaustiva

Em comunicado de imprensa, os Estados Unidos condenaram “veementemente o violento assassinato do Professor Catedrático moçambicano Gilles Cistac”.

Como Constitucionalista e Professor, referia o comunicado, “ensinou gerações de estudantes de direito, contribuindo desta forma para o desenvolvimento democrático de Moçambique”.

“Apelamos ao Governo de Moçambique para que conduza uma investigação exaustiva e transparente e assegure que os responsáveis por este crime hediondo compareçam perante a justiça. Como salientado pelos líderes moçambicanos, é crucial que todos os cidadãos, organizações, partidos e vozes possam exercer plenamente o seu direito constitucional a se expressarem e de se fazerem ouvir à medida que moçambicanos de diversas proveniências se juntam na construção de um futuro são, inclusivo e próspero para todos”.

Moçambique: Seis anos sem respostas sobre caso Gilles Cistac

Seis anos depois da morte, a DW entrevistou organizações da sociedade civil e avançariam que o caso do assassinato do constitucionalista franco-moçambicano Gilles Cistac foi arquivado. No entanto, a polícia dizia que o SERNIC estava a investigar.

“Penso que o assunto já está completamente arquivado”, comentou, na ocasião, João Mosca em entrevista à DW África.

O economista lembra que o não esclarecimento deste e outros casos de assassinatos de figuras políticas ou económicas não constituem novidade em Moçambique.

“A pergunta que se coloca é como é possível [haver] tantos casos em que a polícia não tem capacidade suficiente para encontrar sequer um único caso, em que claramente fica esclarecido o que se passou”, questiona.

O Centro de Integridade Pública (CIP) também fez pressão na altura do assassinato do constitucionalista para se esclarecer o caso. O pesquisador Baltazar Fael diz que a polícia tem obrigação de dar explicações sejam quais forem os resultados.

“Se a polícia não consegue esclarecer os casos, [deve] pelo menos vir a público dizer que não tem elementos, não tem provas, não conseguiu colher provas suficientes para investigar”, afirmara Baltazar Fael. “Assim como o assunto está, não sabemos se já houve um despacho final sobre o processo para o seu arquivamento ou não”.

Passam dez anos e ainda não há respostas sobre o caso Gilles Cistac.

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